<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-8092336081535918109</id><updated>2012-01-08T22:06:19.519-02:00</updated><category term='plural'/><category term='setembro'/><category term='fábula'/><category term='incêndio'/><category term='contrários'/><category term='triângulo'/><category term='dor'/><category term='levitar'/><category term='homem'/><category term='cão'/><category term='talvez'/><category term='minguante'/><category term='coisas'/><category term='veja'/><category term='flores'/><category term='você'/><category term='sedas'/><category term='pássaro'/><category term='palavra'/><category term='nadas'/><category term='abismo'/><category term='rir'/><category term='gangorra'/><category term='careca'/><category term='seguiria'/><category term='minotauro'/><category term='cinza'/><category term='milena'/><category term='desveste'/><category term='sonho'/><category term='shankar'/><category term='janeiro'/><category term='vazios'/><category term='maio'/><category term='rotina'/><category term='beatriz'/><category term='guardanapos'/><category term='chuva'/><category term='estrada'/><category term='guardador'/><category term='culposo'/><category term='prego'/><category term='gemer'/><category term='quase'/><category term='barato'/><category term='aeroporto'/><category term='má'/><category term='tesouro'/><title type='text'>cães da memória</title><subtitle type='html'>livro de veronika paulics, são paulo: com-arte, 2002.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://caesdamemoria.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8092336081535918109/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caesdamemoria.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>veronika paulics</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>51</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8092336081535918109.post-3210205535146694443</id><published>2009-10-27T14:11:00.006-02:00</published><updated>2011-02-19T20:59:15.600-02:00</updated><title type='text'>o rio</title><content type='html'>&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8092336081535918109-3210205535146694443?l=caesdamemoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8092336081535918109/posts/default/3210205535146694443'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8092336081535918109/posts/default/3210205535146694443'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caesdamemoria.blogspot.com/2009/10/o-rio.html' title='o rio'/><author><name>veronika paulics</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8092336081535918109.post-5599078870213051975</id><published>2009-10-26T09:36:00.004-02:00</published><updated>2011-09-26T11:09:54.263-03:00</updated><title type='text'>a condição poética</title><content type='html'>Czeslaw Milosz&lt;br /&gt;(tradução de Ana C. César e Grazyna Drabik)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como se tivesse em vez de olhos binóculos ao contrário, o mundo&lt;br /&gt;se distancia e pessoas, árvores, ruas, tudo diminui, mas nada&lt;br /&gt;nada perde a clareza, fica mais denso.&lt;br /&gt;Já tive antes momentos assim, escrevendo poemas, conheço então&lt;br /&gt;a distância, a contemplação desinteressada, sei assumir&lt;br /&gt;um eu que é não-eu, mas agora é sempre assim e me pergunto&lt;br /&gt;o que significa isso, se entrei numa permanente condição poética.&lt;br /&gt;As coisas difíceis antes, agora são fáceis, mas não sinto desejo&lt;br /&gt;forte de transmiti-las por escrito.&lt;br /&gt;Só agora estou sadio, e era doente, porque o meu tempo&lt;br /&gt;galopava e afligia-me o medo do que viria.&lt;br /&gt;A cada momento o espetáculo do mundo é para mim de novo&lt;br /&gt;surpreendente e tão cômico que não entendo como a literatura&lt;br /&gt;podia querer dominá-la.&lt;br /&gt;Sentindo fisicamente, ao alcance da mão, cada momento, amanso&lt;br /&gt;o sofrimento e não suplico a Deus que queira afastá-lo de mim:&lt;br /&gt;por que o afastaria de mim se não o afasta dos outros?&lt;br /&gt;Sonhei que me encontrava numa estreita borda sobre o oceano&lt;br /&gt;onde se viam nadando enormes peixes marítimos.&lt;br /&gt;Tive medo que se olhasse, cairia. Virei, então,&lt;br /&gt;agarrei-me nas asperezas da parede rochosa,&lt;br /&gt;e movendo-me lentamente, de costas para o mar, cheguei&lt;br /&gt;a um lugar seguro.&lt;br /&gt;Eu era impaciente e irritava-me a perda de tempo com coisas triviais&lt;br /&gt;incluindo entre elas a faxina e a preparação da comida. Agora&lt;br /&gt;corto com cuidado e cebola, espremo os limões, preparo&lt;br /&gt;vários tipos de molho.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8092336081535918109-5599078870213051975?l=caesdamemoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8092336081535918109/posts/default/5599078870213051975'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8092336081535918109/posts/default/5599078870213051975'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caesdamemoria.blogspot.com/2009/10/condicao-poetica.html' title='a condição poética'/><author><name>veronika paulics</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8092336081535918109.post-3297519758390836148</id><published>2009-10-23T14:14:00.000-02:00</published><updated>2009-10-23T14:15:16.794-02:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>entrou na livraria e pediu o livro. a letra dela amassada num papel. voltou para casa com o embrulho protegido da chuva, fechou-se no quarto. segredos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;olhou detalhes. cheirou as páginas. a lisura do branco. passou as folhas decifrando o objeto livro singular. lembrou então do gesto dela de apropriação: procurou uma caneta e em letras inseguras escreveu no alto da primeira página, à direita, o seu nome e a data. para não esquecer. incapaz de seguir, guardou o livro e saiu. arejos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;aproximou-se várias vezes da gaveta onde o livro esperava, até se decidir. abriu as primeiras páginas – detalhes, datas, dados, dedicatórias. a história do livro talvez estivesse ali naquelas marcações misteriosas e naqueles nomes sem rosto. seguiu cauteloso, até encontrar um grande bloco de texto numa página ímpar: capítulo 1. atento ao terço da página que estava em branco, pensou tetos. chuvas mansas. algodão. lençóis. areias. sóis. os olhos seguiram até o espaço um pouco anterior à primeira letra da primeira linha do primeiro parágrafo. manchas. estranhos desenhos. cavernas. a vontade oscilando: ler e entrar ou restar ali, à margem, esperando o momento em que o texto, por si, invadindo olhos instalasse começos. desistiu. medos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mais duas tentativas. na terceira, observou a primeira letra espinho e flor. observou com atenção. esta se ligava a uma outra e a mais outra até que, ondulando, uma última letra ficava buscando mãos de qualquer letra que dela brotasse sons. não fazia sentido. o esforço tamanho. cansaço em cada direção.&lt;br /&gt;até que conseguiu avançar delicadamente entre as palavras. pisando como se areia. intuiu que algumas palavras se enroscam nas pernas. outras, estreitas, furam os pés e maltratam mãos. com cuidado e medo, seguia. mas uma palavra (cada) – lentamente decifrada letra a letra – não se ligava à palavra seguinte. dançava sem âncora. ele sabia de um fio invisível que amarra o texto do começo ao fim: onde estava? tropeços.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;muito tempo escorreu sobre a primeira linha, que empurrava para a segunda e a terceira. ele não seguia. não mudava a página. voltava sempre para o começo desta em que estava, querendo entender, perceber o sentido do emaranhado de traços negros intermitentes – palavras esparsas estrelas soltas no firmamento e ele buscando constelações.&lt;br /&gt;desesperado, passou a ler em voz alta. engasgando. enrolando. dedos seguindo traços. algas emaranhando a garganta e, de repente, no distrair entre suor e lágrima, escorreu pelo seu rosto a imagem do que conhecia tão bem. mistérios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;percebeu que a palavra era uma gota. e gotas se juntam chuva. chuvas, poça. poças, rio. rios, mar. mares se juntam mundo. palavras são mundos. cada palavra um. cada palavra vários. justapõem-se. complementam-se. desvendam-se. mentem. inventam. relatam. desmontam. palavras justapostas apaixonam e desatam. palavras deságuam. e, entrando nelas, molham-nos. palavras são águas e invadem sentidos. grandes águas, viu os parágrafos peixes e corais. luas refletidas em páginas. marés altas e marés vazantes. acasos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ele estava dentro do mar texto e, perdendo o medo de se afogar, conseguiu andar sobre as águas e, sob as águas, pisar pedras e cores. raios de sol revelando azuis e letras. os sentimentos brotavam da folha, ganhavam forma e movimento. sem esforço, ele seguia o corpo que o sopro dela animara com o espírito. ela era aquela descrição que se faz dele e de seus caminhos. desejos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;quando acabou de ler, entendeu. cada gesto é agora, no momento de ser lido. e voltará a ser quando os olhos novamente passarem por estas palavras. ou mais: quando registradas uma a uma no mistério que é a memória, as palavras e suas seqüências puderem ser resgatadas, relembradas e recitadas. e a criação estará ali: o milagre será o mesmo da palavra primeira depois do silêncio pairando sobre as águas e o que se seguiu. abraços.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8092336081535918109-3297519758390836148?l=caesdamemoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8092336081535918109/posts/default/3297519758390836148'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8092336081535918109/posts/default/3297519758390836148'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caesdamemoria.blogspot.com/2009/10/entrou-na-livraria-e-pediu-o-livro.html' title=''/><author><name>veronika paulics</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8092336081535918109.post-7514967886658690752</id><published>2009-10-22T12:00:00.001-02:00</published><updated>2009-10-22T12:00:21.514-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='abismo'/><title type='text'>abismo</title><content type='html'>então, de repente, você teria se voltado para ela, perguntando das possibilidades de chuva e inundação. ela seguiria pisando os paralelepípedos emersos, sem perder o equilíbrio. e você quereria ouvir o que o futuro lhe reservava naquela noite.&lt;br /&gt;depois de tomarem banho e conseguirem uma cama seca, sairiam - regressando pelo mesmo caminho, até avistarem o lugar morno e iluminado. sentariam junto à porta, pediriam vinho, peixe e pão, como num ritual.&lt;br /&gt;quando a luz apagasse, vocês já teriam comido e relembrado coisas antigas, viagens recentes e desejos. a chuva cairia forte outra vez, refrescando o sufoco da noite.&lt;br /&gt;cada traço do rosto dela estaria iluminado sob a luz dos relâmpagos. a cada clarão, um outro jeito a confundir seus gestos: de dor, de tristeza. ou uma alegria distante.&lt;br /&gt;ela, por sua vez, veria apenas um contorno de corpo recortado contra o fundo da porta. lá fora ela veria o céu iluminado pelos raios, a torre da igreja, as telhas brilhando.&lt;br /&gt;a cada pausa, ela teria outras formas de pedir descanso da loucura que estava sendo viver.&lt;br /&gt;você, como sempre, perderia a paciência: ao invés de reparar na magia, sentiria um ódio quase incontrolável da situação.&lt;br /&gt;e aí, entre vocês, estaria instalado o abismo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8092336081535918109-7514967886658690752?l=caesdamemoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8092336081535918109/posts/default/7514967886658690752'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8092336081535918109/posts/default/7514967886658690752'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caesdamemoria.blogspot.com/2009/10/abismo.html' title='abismo'/><author><name>veronika paulics</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8092336081535918109.post-228167410954658365</id><published>2009-10-21T13:10:00.000-02:00</published><updated>2009-10-21T13:11:49.407-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='aeroporto'/><title type='text'>aeroporto</title><content type='html'>ele foi e eu fiquei ali na parede da despedida. os olhos nublando quase chuva de céu cinza e trovoada. os aviões são tão graves. sem a leveza de um trem saindo da estação, lenços brancos, beijos.&lt;br /&gt;eu fiquei como se abrisse uma grande cratera. o vazio que há tanto prometia se instalar estava. parecia fome, ansiedade, angústia, pressa de rever: já saudade.&lt;br /&gt;os olhos nublando era choro e eu não queria. firmava os pés, fixava os anúncios luminosos na tentativa de colocar as idéias em ordem. os aviões são uma despedida quase definitiva. o ronco do motor não se ouve. não se vê um gesto. não se adivinha a emoção de quem parte. só o longo corredor por trás do vidro.&lt;br /&gt;fui andando pelo aeroporto, os pés tão pesados. e um desejo oculto: que voltasse. ele viria. com a chuva forte, o pensamento seria de casa, cama seca e um abraço bom.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8092336081535918109-228167410954658365?l=caesdamemoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8092336081535918109/posts/default/228167410954658365'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8092336081535918109/posts/default/228167410954658365'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caesdamemoria.blogspot.com/2009/10/aeroporto.html' title='aeroporto'/><author><name>veronika paulics</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8092336081535918109.post-5027294314232670736</id><published>2009-10-20T09:41:00.000-02:00</published><updated>2009-10-20T09:42:52.176-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='barato'/><title type='text'>barato</title><content type='html'>quando se dá conta da noite, o homem vê a lua esfiapando no arame farpado.&lt;br /&gt;antes, era como se a cidade não tivesse disso. essa necessidade de limites e medos.&lt;br /&gt;pede mais uma dose. do barato. o garçom nem limpa o balcão. olha morto. o cansaço nos braços, pernas, vida-besta.&lt;br /&gt;momento cruzado assim: cansaço de um. desgosto de outros.&lt;br /&gt;outro gole. outro frio na espinha. outra dor que desaparece. o homem pede um café. morno. nem toma. paga a conta. a tristeza explodindo, pega o primeiro ônibus que passa. na frente da igreja sobe a moça com filho. um menino faz da cruz sinal de crença. outro sorri. a vida segue até o ponto final.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8092336081535918109-5027294314232670736?l=caesdamemoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8092336081535918109/posts/default/5027294314232670736'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8092336081535918109/posts/default/5027294314232670736'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caesdamemoria.blogspot.com/2009/10/barato.html' title='barato'/><author><name>veronika paulics</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8092336081535918109.post-32171222504313345</id><published>2009-10-19T09:47:00.001-02:00</published><updated>2009-10-19T09:47:57.578-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='beatriz'/><title type='text'>beatriz</title><content type='html'>beatriz entrou triste no táxi. mas o motorista viu uma mulher de quase trinta. bonita, muito bonita e desesperada.&lt;br /&gt;por um momento, foi como se ela nem soubesse o que estava fazendo e disse apenas siga em frente. mas como seguir se todos os carros pareciam desaguar naquela via àquela hora? então, passados poucos minutos, ela acrescentou estou sem dinheiro. o motorista respondeu isso não tem importância. e uma idéia relampejou.&lt;br /&gt;ele desviou do trânsito lento do final da tarde e enveredou por pequenas ruas onde árvores amortecem o espanto da cidade. depois passou pontes e viadutos desertos. na praça vazia, obrigou beatriz a descer e olhar. olhar o sol se pondo e nuvens raras, a paisagem límpida como os olhos de quem sabe ver.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8092336081535918109-32171222504313345?l=caesdamemoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8092336081535918109/posts/default/32171222504313345'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8092336081535918109/posts/default/32171222504313345'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caesdamemoria.blogspot.com/2009/10/beatriz.html' title='beatriz'/><author><name>veronika paulics</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8092336081535918109.post-5855082236926724791</id><published>2009-10-09T01:22:00.002-03:00</published><updated>2009-10-19T09:47:14.091-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cão'/><title type='text'>cão</title><content type='html'>acordou ainda bêbado. o rosto gordo de álcool. o rádio, no vizinho, tocava a globo. o requinte do horror para quem amava mozart e o silêncio. a custo contou moedas e velhas notas. desceu as escadas torto. atravessou o saguão do prédio, poucos passos na calçada, na padaria encontrou o cão sarnento que o acompanhou na madrugada: do centro até ali. o cachorro esperava como se estivesse acostumado. abanou o rabo quando o viu entrar e pedir dois pãezinhos e um litro, do c. o cachorro se aproximou e, no movimento, o português se deu conta da presença e gritou: sai fora, cachorro imundo! e já jogava o pedaço de pau que pegou na perna do homem. português filho da puta! e o português espantou-se porque não era aquele um homem de dizer xingamentos nem de ter cães, quanto mais um vira-latas doente. então o homem colocou as compras na sacola e saiu com o cachorro no colo. subiu os andares e o cachorro foi direto para a área de serviço e se enrolou e dormiu sobre os jornais velhos. em sua lógica de bêbado, o acontecido não despertou nenhum incômodo. fez café bem forte e tomou com leite e pouco açúcar. o pão morno tinha gosto de de-manhã, mas já passava a sessão da tarde.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8092336081535918109-5855082236926724791?l=caesdamemoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8092336081535918109/posts/default/5855082236926724791'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8092336081535918109/posts/default/5855082236926724791'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caesdamemoria.blogspot.com/2009/10/cao-volto-dia-19_09.html' title='cão'/><author><name>veronika paulics</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8092336081535918109.post-7539126800916945057</id><published>2009-10-08T09:27:00.002-03:00</published><updated>2009-10-08T09:30:55.713-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='careca'/><title type='text'>careca</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;um homem parou e ficou olhando as revistas expostas na banca. observou atentamente as de noticiário geral - política, economia, variedades em capas estéreis. fixou-se nas de moda e hábitos femininos, parecendo entender de maquiagem e fofocas. disfarçadamente foi chegando perto das revistas de erotismo e pornografia. ensaiou tirar alguma da prateleira mas deteve o gesto. pôs a mão indiscreta no bolso. virou-se para ver os carros e caminhões que passavam na avenida larga. fazia frio e anoitecia.&lt;br /&gt;passou o lenço na careca suada e voltou-se novamente para as revistas. o jornaleiro perguntou será que chove. ele fez que não ouviu, o jornaleiro fez que não disse nada. a mão do homem voltou para o bolso, avolumando coisas. o olhar atento aos peitos da ninfeta na capa da playboy. suava cada vez mais. o tempo passava na careca brilhante do homem e ele não se decidia entre ficar olhando revistas pornográficas ou atravessar a rua abordando a prostituta que lhe fazia gestos estranhos com a mão.&lt;br /&gt;permaneceu indeciso até se completar o anoitecer. o jornaleiro da banca já não suportava o olhar do careca e a prostituta, estanque, já nem fazia sinais. mas também não ia embora.&lt;br /&gt;de longe, não era possível saber se chorava. nem era possível saber que a roupa era a mesma do dia anterior nem se acaso sofria ao ver o homem olhando as revistas sem se decidir por ela.&lt;br /&gt;então, o que tinha que acontecer, aconteceu.&lt;br /&gt;ela veio atravessando a rua, cansada. do jogo.&lt;br /&gt;o homem, vendo que ela vinha, tirou a mão do bolso e errou o tiro. mas não errou o nome, nem o carro errou a mira.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8092336081535918109-7539126800916945057?l=caesdamemoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8092336081535918109/posts/default/7539126800916945057'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8092336081535918109/posts/default/7539126800916945057'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caesdamemoria.blogspot.com/2009/10/careca_08.html' title='careca'/><author><name>veronika paulics</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8092336081535918109.post-7750385546375928424</id><published>2009-10-07T17:09:00.003-03:00</published><updated>2009-10-08T09:31:47.833-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='chuva'/><title type='text'>chuva</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;assim que chegou foi logo dizendo não é preciso ter medo. somos todos vis, malvados e feios. ou não. depende do ângulo de quem analisa. e, por isso, podemos evitar as máscaras e as mesuras próprias dos primeiros encontros.&lt;br /&gt;tirei do bolso o estilingue e todas as pedras que juntei para jogar nele diante dos sustos. mas não atirei: deixei sobre a mesa, ao lado das cartas marcadas, das conchas quebradas e da estrela do mar que ele me trouxe de presente - e que fedia a molusco podre.&lt;br /&gt;ele, por sua vez, levou-me até a janela no fim do longo corredor e mostrou no jardim os torpedos, mísseis e canhões antigos. e uma cavalaria completa, pronta a me destroçar ao primeiro sinal.&lt;br /&gt;eu poderia ainda apresentar outras armas. e também ele. de bombas biológicas a bombas atônitas sequer inventadas, passando por ataques de gás e invasão de insetos. um gesto qualquer de guerra seria fulminante e o coração implacável diante dos pedidos de perdão.&lt;br /&gt;enquanto ele cobria com lençóis limpos a grande cama abandonada, eu tirava as roupas dos baús, trocava as flores secas dos vasos, abastecia de óleo as lamparinas e descobria os móveis, sacudia o tapete. na casa limpa, o cheiro de carne assada e café. o corpo alimentado dispensa as batalhas.&lt;br /&gt;algum dia depois, ele saiu para buscar coisas - canivetes, farinha, laranjas, sabonete, comida prum gato. a primeira vez que fiquei sozinha à espera. enviou bilhetes dizendo volto qualquer hora, não se preocupe, estou com amigos, pago as contas, busco perspectivas, faço as compras.&lt;br /&gt;saí pela mata na direção oposta. andei muitos dias, talvez em círculos, me perdendo cada vez mais e cada vez mais não querendo voltar para a casa, o vazio, a vida à espera que eu levava. mas até o nada um dia se transforma e o atalho chegou numa grande árvore. subi por ela, andei em seus galhos e as folhas eram telhas e as telhas trincavam e por baixo das telhas havia uma casa onde a espera me esperava e o cheiro da carne e as amoras e o café quente sobre o fogão.&lt;br /&gt;desta vez, perdido o medo, eu pedi: não vai mais embora assim. que trabalhe, veja amigos, mas que os intervalos sejam curtos e certos de volta. antes que respondesse, eu já pedia outra coisa: que abra as janelas, deixe entrar vento e sol, chuva e noite e não deixe de existir. eu não quero guerra.&lt;br /&gt;ele não entendeu: você fala grego. não é possível viver de sobreaviso o tempo todo, não é possível viver assim isolado. eu trouxe tudo o que é bom e bonito, o resto, dispense. que eu tivesse claro que o amor, sim, valia alguma coisa e o resto era poeira.&lt;br /&gt;fui até o quarto, desfiz a cama, guardei as roupas, cobri os móveis e avisei estou indo, não volto, tudo já foi longe demais. vou buscar outros lugares onde eu não me perca ao sair. dei um beijo, chamei um táxi. dentro do carro, o motorista era meu pai, depois meu irmão, depois um homem que eu nunca vi, depois decolou e fomos muito longe, muito alto e chegamos a uma praia onde não havia casas. as árvores inclinadas pelo vento constante davam um ar de abandono e o táxi com meu pai-irmão-homem-que-não-conheço sumiu.&lt;br /&gt;construí um abrigo onde as pedras protegem do vento. ali, escondida, eu o esperei. quando escureceu, chegou. veio lembrando coisas boas e não dizendo nada, adivinhando sentimentos. cacos de vidros coloridos caíam de seus bolsos e me deu água. e me deu colo. e me deu asas. depois disse que estava partindo. feliz por me ver tão bem. olha, quanto mais longe estivermos um do outro, mais a vida vai nos trair. porque não é importante construir barcos nem planejar filhos. e foi embora. eu, sem entender.&lt;br /&gt;durante muitas semanas me alimentei de peixes e algas, ensaiando voar com as asas ganhas. nada acontecia. ainda que eu me largasse de cima das árvores, contra e a favor do vento, nada. veio alguém trazer receitas de xaropes, fortificantes e bolos. eu permaneci, atenta às minhas tantas possibilidades.&lt;br /&gt;nos encontramos no farol da entrada do banco de corais. o mar calmo. a pele salgada sangrava o esforço e ele disse outra vez estamos perto. ainda somos próximos e iguais. ainda pulsa a vida.&lt;br /&gt;deixei as asas de lado. tomei um banho quente e na grande casa, metamorfose do farol, no fim do corredor, pela janela, eu vi o jardim. a lua subia redonda, sem cães nem cavalaria. só ele, passeando entre os canteiros, como quem cuida de mim.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8092336081535918109-7750385546375928424?l=caesdamemoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8092336081535918109/posts/default/7750385546375928424'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8092336081535918109/posts/default/7750385546375928424'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caesdamemoria.blogspot.com/2009/10/chuva_07.html' title='chuva'/><author><name>veronika paulics</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8092336081535918109.post-7442488444749813393</id><published>2009-10-06T09:14:00.000-03:00</published><updated>2009-10-06T09:15:10.589-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cinza'/><title type='text'>cinza</title><content type='html'>de madrugada. &lt;br /&gt;o cinza derrete e se esparrama. o calor - todo o calor do mundo - concentra-se num só ponto que não é aqui.&lt;br /&gt;recolho minhas coisas e visto a roupa. saio sem fazer barulho. deixo a porta destrancada: você nunca tem medo.&lt;br /&gt;ando no cinza com a tranqüilidade que só é possível nesses momentos anteriores às manhãs.&lt;br /&gt;o vento me gela até os ossos. vou seguindo e deixando nos meus rastros o teu cheiro, o teu sangue e a tua dor. o espanto de quando acordar e perceber que não estou mais, que não sou mais, que ao seu lado ficou o vazio do que não se explica.&lt;br /&gt;não há motivos. há dessincronias: tudo acontece em tempos diferentes - da sede ao desejo. como se fossem outras as luas dos mapas.&lt;br /&gt;vou reticente porque não sei para onde. vou longe. chego na estação do metrô mas ainda é cedo. não tenho relógio nem jornal. tenho muito tempo.&lt;br /&gt;continuo a pé.&lt;br /&gt;começa a garoar e as agulhas espetam meu rosto, as mãos, os tornozelos. o frio não é de todo ruim. lembro de abrir a bolsa e vestir o que me proteja. guardo os documentos no bolso. o resto, jogo no primeiro lixo que encontro –  mais leve, porque a vida é mais fácil sem agendas, telefones, datas, compromissos. já não tenho obrigações.&lt;br /&gt;e vou andando meu pensamento por você. o cheiro do café invade a calçada. peço dois.&lt;br /&gt;quanto mais você me comesse, mais fome eu teria. de devorá-lo e vomitá-lo. de devolvê-lo para o mundo como se o mundo fosse inteiro em nós e fôssemos nós o mundo.&lt;br /&gt;mas as coisas com você jamais acontecerão no tempo exato, serão sempre tempos revezados, estupidamente alternados. raros eclipses em tudo o que fizermos juntos.&lt;br /&gt;amanhece.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8092336081535918109-7442488444749813393?l=caesdamemoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8092336081535918109/posts/default/7442488444749813393'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8092336081535918109/posts/default/7442488444749813393'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caesdamemoria.blogspot.com/2009/10/cinza.html' title='cinza'/><author><name>veronika paulics</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8092336081535918109.post-5732816970477829446</id><published>2009-10-05T13:52:00.001-03:00</published><updated>2009-10-05T13:52:54.520-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='coisas'/><title type='text'>coisas</title><content type='html'>quando veio o fogo, já era impossível. &lt;br /&gt;ele estava no banho gelado, lavando os pés – entre os dedos – e até sentir o calor do fogo, já era impossível.&lt;br /&gt;correu pela casa à procura do foco do fogo, mas tanta fumaça. e ela – linda e louca – vinha em sua direção ainda segurando a caixa de fósforos: ria.&lt;br /&gt;ele tão nu e ela rindo, tossindo fumaça. quase cuspindo fogo, ele pensou. e esqueceu de perguntar os porquês.&lt;br /&gt;ela incendiou vários cantos da casa dele, amontoando os colchões dele, os papéis velhos dele e muita, muita gasolina, tirada do carro dele.&lt;br /&gt;as coisas dela – as mais queridas – esperavam no meio da rua, resguardadas.&lt;br /&gt;as coisas dele – odiável na loucura momentânea dela – ardiam tão quanto ela.&lt;br /&gt;ele correu pra fora, para longe da que permanecia em pé no meio do fogo, que já avançava paredes, e num instante de lucidez ele soube que a odiava, mas mais que isso: desejava. e nesse misturado, calado, atônito, enlouquecido, rasgou os restos dela em gestos desesperados, enquanto ela queimava.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8092336081535918109-5732816970477829446?l=caesdamemoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8092336081535918109/posts/default/5732816970477829446'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8092336081535918109/posts/default/5732816970477829446'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caesdamemoria.blogspot.com/2009/10/coisas.html' title='coisas'/><author><name>veronika paulics</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8092336081535918109.post-1352038006516140883</id><published>2009-10-02T09:34:00.001-03:00</published><updated>2009-10-02T09:36:47.418-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='contrários'/><title type='text'>contrários</title><content type='html'>contemplo o mistério: fui lá e devolvi todas as coisas. &lt;em&gt;a aspereza de um homem.&lt;/em&gt; o que mais eu poderia ter feito? &lt;em&gt;cena de um filme antigo.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;olhei estranha para quem antes despertava o meu desejo e a minha fragilidade. &lt;em&gt;desde quando são todos tão iguais?&lt;/em&gt; agora já não era nada. não sobrava nada. nem medo. &lt;em&gt;até onde os homens permanecem ipês?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;ele diz contrários. &lt;em&gt;mas eu.&lt;/em&gt; eu ainda penso e sou capaz de me maravilhar com o mundo. &lt;em&gt;não desisto de mim. &lt;/em&gt;e sigo. &lt;em&gt;às arestas, portanto.&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8092336081535918109-1352038006516140883?l=caesdamemoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8092336081535918109/posts/default/1352038006516140883'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8092336081535918109/posts/default/1352038006516140883'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caesdamemoria.blogspot.com/2009/10/contrarios.html' title='contrários'/><author><name>veronika paulics</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8092336081535918109.post-408972090395602524</id><published>2009-10-01T10:00:00.000-03:00</published><updated>2009-10-01T10:01:00.066-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='culposo'/><title type='text'>culposo</title><content type='html'>na calçada, em frente ao prédio, ela abria os sacos pretos esparramando o conteúdo pelo chão. conferia tudo o que brilhasse. depois, devolvia o lixo para sua embalagem inicial.&lt;br /&gt;...cinco, seis, sete sacos e estavam conferidos todos os seus dejetos da semana. inconformava-se por não achar o que procurava e pela sua capacidade de emporcalhar o mundo. os vizinhos estranharam: mulher tão distinta... agora deu pra isso!&lt;br /&gt;entrando na sala, o telefone tocou. era valter pela segunda vez. convidando-se para o café da manhã de domingo. ela disse que sim, que ótimo, enquanto remoía pedaços de memória tentando encontrar o local do gesto de jogar fora a aliança.&lt;br /&gt;revirou o apartamento. desalmofadou sofás, desalojou aranhas, desempoeirou tapetes, aspirou o carpete, varreu a cozinha e não encontrou. tirou panelas dos armários, revirou lençóis e roupas sujas.&lt;br /&gt;dois dias e ela angustiada. já não sentia fome.&lt;br /&gt;o estômago encolhido não engolia nada. a boca amargava. o coração taquicardia. o desespero não permitia um ou outro pensamento desses levezinhos. no metrô, no ônibus, no trabalho, não havia gesto que não fosse a procura ou a lógica do desaparecimento.&lt;br /&gt;pensava, pensava, pensava. pesava.&lt;br /&gt;chegou ao sábado pálida, de olhos vermelhos. inconformada com a briga que, dessa vez, ela provocaria (tão sem intenção!).&lt;br /&gt;então ouviu valter no interfone, valter no elevador, valter na campainha.&lt;br /&gt;quando os olhos de valter encararam sua mão direita, ela controlou os dedos. sustentou o olhar. normal. ninguém perguntou.&lt;br /&gt;na manhã, a ausência quase despercebia. ela levou o café para valter. na xícara antiga, despejou o líquido, duas colheres de açúcar. a terceira brilhou. mas seus olhos, cansados do brilho de tanto lixo, ignoraram o aviso. valter, encantado, engoliu ávido o café e desesperou. engasgado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8092336081535918109-408972090395602524?l=caesdamemoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8092336081535918109/posts/default/408972090395602524'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8092336081535918109/posts/default/408972090395602524'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caesdamemoria.blogspot.com/2009/10/culposo.html' title='culposo'/><author><name>veronika paulics</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8092336081535918109.post-3049277978389127869</id><published>2009-09-30T09:49:00.000-03:00</published><updated>2009-09-30T09:50:11.561-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='desveste'/><title type='text'>desveste</title><content type='html'>o amanhecer demora como se o medo prolongasse o escuro. não quero que você acorde, que me olhe e me lembre o que sou e o que não. um gesto e seu rosto e tudo é diferente. meu corpo volta à inércia anterior. à incapacidade de se emocionar com a sua presença. por dentro, desmonto todas as certezas. &lt;br /&gt;olho no espelho e não me vejo. nos meus cabelos bem tratados vejo os seus. nas unhas pintadas, no batom, na maquiagem retocada, no meu corpo em estado de prontidão feminina, eu vejo o seu corpo, a sua prontidão e tudo se desfaz. não sou uma mulher. o espelho me desmente mas o coração já não se esforça por negar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;quando eu a vi encostada no carro, em plena avenida às três da tarde, não deveria ter olhado duas vezes. meu corpo travestido me traiu. o membro escondido e teso me levou até o seu lado. prostituta sem delicadeza que me aceitou com calma pensando a mulher que eu era. eu ali. e você primeira a me comover. não conversei com suas amigas. não perguntei de sua casa. bastaria, por tantos tempos, encontrar na madrugada no boteco da esquina. juntas, amaldiçoaríamos os homens, as desilusões, a vida sem possibilidades. inventaria atrocidades e um aborto quando você contasse da vontade de ter filhos e da falta de sensibilidade dos homens. inventaria família, data de nascimento, infância, estupro. inventaria mil histórias para permanecer sua igual. &lt;br /&gt;enquanto caminhássemos antes do amanhecer e os carros, as poças, as portas dos hotéis nos refletissem, muitos pensariam - toda puta é sapatão. &lt;br /&gt;não me espantei com a distância imposta ao meu corpo pagão. quando você se despediu, eu inteiro me apertei, um pouco pavor, outro tanto tristeza. olhando os homens que me pagavam, pensei nos homens que lhe queriam e a distância cresceu. senti raiva daqueles homens, de mim e de como as coisas acontecem. poderia ser manchete do np: traveco namora prostituta.&lt;br /&gt;quando você não apareceu na noite, chorei em silêncio e disse a mim mesmo: alguém deve ter contado a ela. e saí perguntando. soube da briga. da faca. no ventre. nos seios. queimaram seus cabelos. deixaram-na caída, nua, inerte. pensaram morta.&lt;br /&gt;procurei sua casa. ninguém sabia. continuei perguntando. &lt;br /&gt;agora me deparo com seu corpo quebrado e você dopada. sento ao seu lado nesta madrugada e você não sabe da minha presença como eu quase não sei da sua. velo seu sono. você sua, se mexe, se contorce aflita. eu afago suas mãos. seu braço. beijo sua boca com delicadeza. passo a mão no seu rosto e, sob a maquiagem desfeita, uma barba inesperada se revela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não quero que acorde. não quero que me olhe. não quero que me lembre o que não sou. &lt;br /&gt;meu corpo volta à inércia anterior à anterior.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8092336081535918109-3049277978389127869?l=caesdamemoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8092336081535918109/posts/default/3049277978389127869'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8092336081535918109/posts/default/3049277978389127869'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caesdamemoria.blogspot.com/2009/09/desveste.html' title='desveste'/><author><name>veronika paulics</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8092336081535918109.post-1201325493684112223</id><published>2009-09-29T15:10:00.001-03:00</published><updated>2009-09-29T15:14:08.384-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='dor'/><title type='text'>dor</title><content type='html'>você sabe, há momentos em que dói tudo. dói  o que já fiz e o que ficou impossível. dói  o que eu mais quis, dói viver, dói morrer. dói, principalmente, saber que não somos deuses. dói o palavrão retido e o xingamento dito. dói o choro, dói o riso. dói estar no mundo e estar logo ali, mais adiante. dói o que queremos ser e ainda não somos.&lt;br /&gt;você sabe, ontem à noite eu não dormi por causa dos gritos. primeiro, a moça na estação de trem. olhei pela janela e não entendi o que estava acontecendo. depois, outros gritos vieram do grande silêncio instalado em mim há tantos dias. tudo o que penso e não quero pensar foi gritando cada vez mais alto, foi girando dentro de mim cada vez mais alto, gritando alto, mais alto, alto. não consegui dormir.&lt;br /&gt;você sabe, os sonhos estão cada dia mais difíceis. filho, casa, abraços. o poder da escrita me subjugando. e estes sonhos, rejeitados, vão virando pesadelos e eu não durmo, não durmo. estar acordada traz um excesso de lucidez!&lt;br /&gt;você sabe, eu queria te dizer com toda a calma que já não seguiremos juntos. que há muito estamos distantes. talvez o amor tenha acabado. e não é possível estar assim no mundo, tão sem delicadezas.&lt;br /&gt;você sabe que não é por outro, por outros. não é por ninguém. é por mim e pelas impossibilidades que se enroscam nas teias onde nos perdemos cada dia mais.&lt;br /&gt;você sabe que já sabemos tão pouco um do outro, que já não valemos de abrigo, que já não somos cúmplices, nem amantes, nem amigos. você sabe.&lt;br /&gt;você sabe, eu poderia ficar horas no silêncio, dias, meses inteiros olhando o nada que está sendo a minha vida. a absurda obrigação de ser bem sucedido para ser lembrado. a obrigação de cumprir promessas vagas. a necessidade de ver gente que vive coisas que eu não queria pra mim. e eu não tenho mais paciência. mas eu sei como você prefere o arroz. sei os filmes que você não gosta, o caos que é sua casa, sua vida. do seu corpo, cada movimento de olhar e de não olhar eu conheço e cada cheiro e jeito de fazer as coisas e de sentir e desistir e jogar tudo pro alto. mas eu também sei de onde vêm estes gritos que ecoam em mim e porque sei, não quero saber, não quero te ver nunca mais, até que sejam novas as rotas que eu tiver traçado e as linhas escritas e as palavras e o mundo.&lt;br /&gt;porque você não sabe. e isso, agora, eu sei.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8092336081535918109-1201325493684112223?l=caesdamemoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8092336081535918109/posts/default/1201325493684112223'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8092336081535918109/posts/default/1201325493684112223'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caesdamemoria.blogspot.com/2009/09/dor.html' title='dor'/><author><name>veronika paulics</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8092336081535918109.post-1895223048427485809</id><published>2009-09-28T09:36:00.000-03:00</published><updated>2009-09-28T09:37:07.238-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='estrada'/><title type='text'>estrada</title><content type='html'>há dois dias está na estrada. há dois dias só faz escuro.&lt;br /&gt;mesmo quando não chove, é difícil acreditar que consiga fazer as curvas sem cair em ribanceiras.&lt;br /&gt;que não vê. apenas supõe. adivinha. nem lembra.&lt;br /&gt;porque nem sendo dia, chega a ser noite e, não sendo noite, não há lua nem sombra dela: sombra alguma.&lt;br /&gt;além dos desfiladeiros, imagina a beleza da paisagem, seus contornos, atalhos na mata, casas com varandas. os verdes e seus tantos tons ocultos na ausência de luz. &lt;br /&gt;os faróis logo derretem. o corpo pede descanso. pára no posto e não se acomoda à solidão dos homens acampados no balcão da lanchonete. &lt;br /&gt;volta para o carro mais sozinho do que sempre. pensa novamente o escuro: eclipse, transtorno, tempestade? pelo rádio intermitente, notícias vagas, em ondas.&lt;br /&gt;sabe para onde vai mas não sabe por que vai assim, desafiando as leis da natureza humana. não consegue mais que sofrer. teima. se angustia pela escuridão que as luzes do carro nem tocam. vai dentro dela. voa. quando. ventre. mãe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;já quase não enxergava as mãos, aos poucos engolidas pelo escuro espesso feito um melado se derramando. o breu entrava pela boca, ouvidos, narinas. antes que ocupasse seus olhos, pensou não posso mais e neste mesmo instante, girou o carro abruptamente para voltar pelo caminho por onde viera.&lt;br /&gt;foi então que viu.&lt;br /&gt;viu o dia claro, o sol e os detalhes nítidos da vida. mulheres vendendo frutas na beira da estrada. crianças brincando na água. o cheiro da flor de laranja. dos vermelhos.  dos futuros. azuis. verdes. céus. roxos. vestidos. amarelos. vacas no pasto. milharal. um mugido. &lt;br /&gt;abriu a boca em busca de palavras mas só ouviu um som, aquele: um homem e seu acordeom.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8092336081535918109-1895223048427485809?l=caesdamemoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8092336081535918109/posts/default/1895223048427485809'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8092336081535918109/posts/default/1895223048427485809'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caesdamemoria.blogspot.com/2009/09/estrada.html' title='estrada'/><author><name>veronika paulics</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8092336081535918109.post-7417019159629147999</id><published>2009-09-25T10:44:00.001-03:00</published><updated>2009-09-25T10:44:50.455-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='fábula'/><title type='text'>fábula</title><content type='html'>revolvo demônios por causa dessa mulher. porque sua voz risca a minha pele e rompe a carne, despertando medos muito antigos, trazidos na medula desde úteros.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8092336081535918109-7417019159629147999?l=caesdamemoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8092336081535918109/posts/default/7417019159629147999'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8092336081535918109/posts/default/7417019159629147999'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caesdamemoria.blogspot.com/2009/09/fabula.html' title='fábula'/><author><name>veronika paulics</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8092336081535918109.post-5911370610486734713</id><published>2009-09-24T11:08:00.001-03:00</published><updated>2009-09-24T11:08:55.349-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='flores'/><title type='text'>flores</title><content type='html'>ao abrir a janela, o vento derrubou o vaso. não havia prenúncio de chuva. era um vento sem razão, em plena sequidão de inverno.&lt;br /&gt;precisou limpar a sujeira. há muito não sentia essa angústia tão. ser vento e vaso. ausência total de sossego - uivar e cair.&lt;br /&gt;sentou-se novamente diante da janela aberta. olhava os carros. pensava o dia, o ontem, o anteontem e o antes disso. quantos dias teriam se passado naquela insensatez?&lt;br /&gt;perdera o nome de deus no meio dos papéis, livros, louças, móveis, comidas. como coisa aos poucos engolida por um poço. olhou para dentro de si, como se visse de ponte distante, pontos outros de vida e vista.&lt;br /&gt;o que coaxava ali dentro, há mais de uma semana, sem deixar respostas?&lt;br /&gt;tentou rever os fatos para não se perder em pensamentos e não encontrou nenhum. (era quem comia flores.)&lt;br /&gt;não conseguindo pensar, deixou que o tempo passasse, desenhando bolinhas: minúsculas, pequenas, um pouco maiores - a arte do equilíbrio sem simetria. via os carros passando lá embaixo pequenos como as maiores, e os pedestres, como as minúsculas.&lt;br /&gt;a mão entorpeceu. a angústia se dissipou. talvez fosse possível continuar vivo. o sol descia lentamente e grossos pingos de chuva batiam na vidraça, vindos de céu sem nuvens.&lt;br /&gt;acordou com o frio da madrugada — outra vez o vento —, os músculos desacomodados doíam dor de ressaca. a vida, essa não espera: já era outro dia e nunca mais.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8092336081535918109-5911370610486734713?l=caesdamemoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8092336081535918109/posts/default/5911370610486734713'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8092336081535918109/posts/default/5911370610486734713'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caesdamemoria.blogspot.com/2009/09/flores.html' title='flores'/><author><name>veronika paulics</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8092336081535918109.post-809935943343158090</id><published>2009-09-23T10:39:00.000-03:00</published><updated>2009-09-23T10:40:00.826-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='gangorra'/><title type='text'>gangorra</title><content type='html'>pega a criança pela mão e vai levando consigo. uma chuva rala sucede à tempestade que derrubou morcegos das árvores. o mar cinza, a areia cheira seres profundos.&lt;br /&gt;a criança move as pernas lentamente, quase arrastado. o homem não quer que ela suje os pés e apressa o passo. a criança ignora a pressa e olha os morcegos caídos. pergunta por que caíram e o homem responde que foi a chuva. e estão mortos? estão mortos, o homem responde. a criança se detém e deixa passar  o tempo.&lt;br /&gt;é possível notar que está corada e nos olhos brilha a descoberta da morte do outro. depois esquece e se diverte com coisas como pisar nas riscas pretas da calçada e não pisar nas riscas brancas. isso aumenta a velocidade do passo, quase desequilibrando o homem. dessa vez ele diz cuidado. e outra vez a criança o ignora.&lt;br /&gt;no tempo mesmo da indiferença, parecem felizes por estarem ali, lado a lado.&lt;br /&gt;ninguém mais está na praia. chove um pouco e as pessoas não gostam da areia úmida. é mais fácil fazer castelos, mas o homem não ouve: segue seu passo sempre igual, uma mão dada à criança. a outra segura o chapéu, para que não voe.&lt;br /&gt;a criança pensa que chapéu engraçado, mas não diz. nem ri. é como se guardasse todos os segredos do mundo.&lt;br /&gt;o homem fica inquieto e faz perguntas, tentando decifrar a criança, mas nenhuma é capaz de desencadear o moto-contínuo. e pensar que bastava um riso. o homem não sabe.&lt;br /&gt;a criança se distrai com os restos de algas, pedaços de conchas, águas-vivas mortas. no olhar, ainda a estranheza de quem se reconhece e tem saudade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8092336081535918109-809935943343158090?l=caesdamemoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8092336081535918109/posts/default/809935943343158090'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8092336081535918109/posts/default/809935943343158090'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caesdamemoria.blogspot.com/2009/09/gangorra.html' title='gangorra'/><author><name>veronika paulics</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8092336081535918109.post-6925461214450110714</id><published>2009-09-22T11:12:00.001-03:00</published><updated>2009-09-23T10:41:23.405-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='gemer'/><title type='text'>gemer</title><content type='html'>ao sair do prédio, perguntou as horas. sete e quarenta e cinco. só? é. não há algum engano? não há engano.&lt;br /&gt;então é isso: uma história de tantos anos mereceu o mais curto dos fins já vividos. é a vida, constatou. e foi arrastando solidões até o carro que deixou estacionado ali não fazia nem meia hora.&lt;br /&gt;o problema dele é que gemia. gemia sempre. como se morresse a cada minuto e todos fôssemos responsáveis por isso. não que não fosse verdade a sucessão de pequenas mortes. mas gemer assim! chegava a ser obscena essa explicitação da condição humana. e ela, tão mais velha, não queria ser relembrada a cada instante. &lt;br /&gt;por isso, tão rápido o final.&lt;br /&gt;sozinha, discreta em sua ciência da vida que se esvai, ligou o carro e partiu.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8092336081535918109-6925461214450110714?l=caesdamemoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8092336081535918109/posts/default/6925461214450110714'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8092336081535918109/posts/default/6925461214450110714'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caesdamemoria.blogspot.com/2009/09/gemer.html' title='gemer'/><author><name>veronika paulics</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8092336081535918109.post-4303726192145544009</id><published>2009-09-21T09:17:00.000-03:00</published><updated>2009-09-21T09:18:00.750-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='guardador'/><title type='text'>guardador</title><content type='html'>o guardador de livros. os livros. a biblioteca. as escadas. o saguão. armários com vidros reluzentes. manuscritos. grandes salões. a música entre os livros. a poesia. o guardador de livros. a lembrança. olhares. conversas e bicicletas. ah.&lt;br /&gt;adélia. baratas. poemas. despedida. me liga. qualquer dia. o tempo. o bilhete. a cerveja. o beijo. a chuva. a partida. a volta.&lt;br /&gt;o guardador de livros e seus segredos. o guardador de música. o quarto vazio. a vida. o espaço. o medo. a solidão. o não guardado. a mulher e o sagrado. o incêndio. o choro. o grito. outro medo. o mar. o belo horizonte. a profanação de mistérios. a desmemória na noite. a dessincronia. a mãe. o irmão. a mão. o gesto. o ciúme. o filme. o silêncio. a tempestade. o não. a chave. o relógio.&lt;br /&gt;as cartas. o ódio. a mágoa. o tempo. o lógico. o óbvio. o desespero. outro tempo. o esquecimento.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8092336081535918109-4303726192145544009?l=caesdamemoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8092336081535918109/posts/default/4303726192145544009'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8092336081535918109/posts/default/4303726192145544009'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caesdamemoria.blogspot.com/2009/09/guardador.html' title='guardador'/><author><name>veronika paulics</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8092336081535918109.post-3396364524226204545</id><published>2009-09-18T10:58:00.000-03:00</published><updated>2009-09-18T10:59:14.074-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='guardanapos'/><title type='text'>guardanapos</title><content type='html'>quando eu, sem me afastar do balcão, a vi ultrapassando a esquina, já sabia que quanto mais se ama, mais se ama. e que seria possível sumir num buraco. nunca mais ela devoraria minhas entranhas, teimando em recusar futuros.&lt;br /&gt;porque eu eu a quis e a guardei. mas ela ela: quando me derramo lava não entendo sua palavra - pedra. não enxergo as gradações de cinza no mármore. só esse susto é impossível. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mas agora.&lt;br /&gt;ela não poderia entrar aqui. e entra. arrasta as asas que não tem e me assusta ao estar nesse bar, esta noite.&lt;br /&gt;pede e eu desamarro seus sapatos. &lt;br /&gt;molha o queijo no café quente: estou bem, atravessei desertos e certezas antes de chegar. e canta sussurrado o canto dos violeiros. está um pouco embriagada mas a alegria jorra independente. &lt;br /&gt;então sei que sempre estará comigo até que a morte nos confunda numa mesma paisagem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8092336081535918109-3396364524226204545?l=caesdamemoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8092336081535918109/posts/default/3396364524226204545'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8092336081535918109/posts/default/3396364524226204545'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caesdamemoria.blogspot.com/2009/09/guardanapos.html' title='guardanapos'/><author><name>veronika paulics</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8092336081535918109.post-1534738538812046543</id><published>2009-09-17T10:37:00.000-03:00</published><updated>2009-09-17T10:38:30.317-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='homem'/><title type='text'>homem</title><content type='html'>ao roer as unhas, concluiu que a si mesmo se bastava. era seu próprio alimento. levantou-se cheio de si.&lt;br /&gt;tirou o espelho do fundo da rede de pesca, fosco, quebrado entre tantas tralhas. e se olhou abismado.&lt;br /&gt;na beira do rio, sob o sol, fitou-se inteiro horas a fio. tão belo. tão menino. tão homem. tão cheio de si que se vomitou a si mesmo num lance de parto praia rio e areia clara.&lt;br /&gt;e o homem, antes cheio de si, agora se viu diante de si mesmo e não entendeu.&lt;br /&gt;o homem, antes pleno, era agora estranho em si mesmo. havia o outro: tão quanto ele mesmo, mas outro.&lt;br /&gt;o rio não dizia nada. sem  sol, a tarde ia, mas ficou suspensa na nuvem lilás. a água ali e os homens fixos com o mesmo pensamento. um pai do outro. outro pai do um. ou seus iguais.&lt;br /&gt;veio a maré e molhou os pés dos homens que queriam ser um só: quem matava quem?&lt;br /&gt;o vento prolongou a pergunta incômoda na casa. e era o vento prolongando. o chiado na chaleira chiando. e a bicicleta largada no jardim, largando. e era a pergunta. a morte. a dor da vida no igual. feito amor.&lt;br /&gt;e os homens, que se bastavam a si mesmos, reviraram o mundo procurando resposta para a pergunta. &lt;br /&gt;encontraram-se novamente ali. no mesmo rio, na mesma praia onde o tempo estancara, e a maré. o homem, que gerara a si mesmo e se bastava, viu o seu igual e o tomou nas mãos. surpreso.&lt;br /&gt;acariciou a pela macia mais lisa que o vidro e o medo mais medo que o vento. pulsou. pulsou. pulsou.&lt;br /&gt;o homem, ainda assim, bastava-se a si mesmo. e não era isso a dor. mesmo sendo um e outro e um querendo ser o outro e o outro sendo o um, não houve domínio.&lt;br /&gt;e o vendaval se fez. o homem sendo cada um e sendo um. o homem ao vento, ao temporal, o homem exposto: só.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8092336081535918109-1534738538812046543?l=caesdamemoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8092336081535918109/posts/default/1534738538812046543'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8092336081535918109/posts/default/1534738538812046543'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caesdamemoria.blogspot.com/2009/09/homem.html' title='homem'/><author><name>veronika paulics</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8092336081535918109.post-5669777726306354436</id><published>2009-09-16T11:00:00.000-03:00</published><updated>2009-09-16T11:01:38.700-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='incêndio'/><title type='text'>incêndio</title><content type='html'>a lua fica cheia sobre a cidade. as luzes do prédio ao lado se acendem até que o incêndio se completa.&lt;br /&gt;o ar está pesado. as explicações sobram onde falta abraço.&lt;br /&gt;o corpo de bombeiros não vai tirar a tempo a criança que se desespera no terraço. não há água.&lt;br /&gt;estou cansada desse espetáculo e nem entendo - de cima da minha incapacidade de transitar pelo mundo - como podem os carros e caminhões andar nas ruas sem se chocarem uns com os outros. e as pessoas não enlouquecem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a mãe da criança espera na calçada. talvez saiba que espera em vão.&lt;br /&gt;hoje é o primeiro dia que não o entendo. você fala. eu não ouço. o que eu digo você dilata ao infinito num gesto que eu não vejo.&lt;br /&gt;o fogo engole a criança mas de longe não se ouve o grito nem o choro nem o medo. enche de luz os cabelos de quem pára pra ver.&lt;br /&gt;estou perdida como a criança e o fogo em volta. estou silenciosa como a mãe.&lt;br /&gt;não há espetáculo que nos redima, mas você quase se exime ao saber de antemão todas as coisas que eu penso e o que me faz pensar assim. eu não escapo da sua lógica e me movo no seu clarão.&lt;br /&gt;onde estamos nem sempre faz sentido. e eu tenho medo do que na vida doa.&lt;br /&gt;pensei ir sozinha para casa mas vou levando-o comigo, incapaz de abandonar. e incapaz também de falar dos cotidianos, que estão aí sendo vividos, acesos aos poucos como se acende um interruptor ao se chegar em casa no escuro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8092336081535918109-5669777726306354436?l=caesdamemoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8092336081535918109/posts/default/5669777726306354436'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8092336081535918109/posts/default/5669777726306354436'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caesdamemoria.blogspot.com/2009/09/incendio.html' title='incêndio'/><author><name>veronika paulics</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8092336081535918109.post-4793110839374188587</id><published>2009-09-15T10:22:00.001-03:00</published><updated>2009-09-15T10:22:42.130-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='janeiro'/><title type='text'>janeiro</title><content type='html'>chegando janeiro, júlio também chegou. no final da tarde. chovia. feito a bachiana número cinco de villa-lobos. ela, tirando o bolo do forno, ele fez a pergunta óbvia: adivinha o que eu trouxe (mostrando a mala cheia de surpresas).&lt;br /&gt;ela olhou lá fora, viu vagalumes demais e pensou: perdi a noção da lua. não respondeu.&lt;br /&gt;o bolo. júlio. a mala. a chuva.&lt;br /&gt;de dentro de seu silêncio de tanto e tanto tempo, ouviu sua voz: que bom, você voltou.&lt;br /&gt;e júlio viu o rosto dela resposta. asas coloridas de borboleta. capim ao vento. fruta madurando sangue. saliva. trânsito em são paulo. aeroporto. neon. seu gosto. concreto.&lt;br /&gt;ela tirou papéis, calculadora, livros de cima da mesa. pegou manteiga, bolo e coca-cola. quis entregar dizendo come. mudou de idéia. foi fazer café.&lt;br /&gt;então júlio largou a mala no canto. tirou a capa molhada e lavou as mãos. atento a cada gesto de revoada. aceitou o café. tomou um gole. quente. que bom, pensou. e pensou dizer. mas não disse.&lt;br /&gt;ela ali, à sua frente, e ele não dizendo nada. encantado.&lt;br /&gt;a chuva em tom agudo. &lt;br /&gt;ela levantou para tirar o avental. tocou o rosto de júlio com suas mãos de dez mil laranjas terra alecrim.&lt;br /&gt;no rosto de júlio, barba por fazer e mãos mais que perfeitas. lentas. certas da docilidade do planeta na hora em que tudo pára.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8092336081535918109-4793110839374188587?l=caesdamemoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8092336081535918109/posts/default/4793110839374188587'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8092336081535918109/posts/default/4793110839374188587'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caesdamemoria.blogspot.com/2009/09/janeiro.html' title='janeiro'/><author><name>veronika paulics</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8092336081535918109.post-2302564666143676154</id><published>2009-09-14T11:23:00.000-03:00</published><updated>2009-09-14T11:34:12.535-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='levitar'/><title type='text'>levitar</title><content type='html'>depois, começou a se sentir mal todas as manhãs. vomitava. tinha enjôos. além do sintoma metafísico, uma sensação de levitar sempre que dormia.&lt;br /&gt;então, evitava as manhãs e o sono. inventou mil artifícios.&lt;br /&gt;por penúltimo, descobriu o café com coca-cola. durante muitas semanas resistiu aos sonos e já não enjoava.&lt;br /&gt;mas quando os sonhos invadiram o dia claro do cotidiano, exasperou-se. do desespero passou à mais completa calma. da calma entrou em coma, em coma dormiu. enquanto dormia, levitou, acordando pela manhã, teve enjôos e ânsias de vômito.&lt;br /&gt;tomou um banho. a água gelada tirava o sono.&lt;br /&gt;banhava-se, portanto, de pouco em pouco. no trabalho, nas madrugadas. já não ia aos cinemas.&lt;br /&gt;até que a pele se soltou na alquimia do banho. e no chão, perto do ralo, ele viu, estupefato, sua pele levitar adormecida. vestiu-a de susto e por sentir-se nu. dormiu. contorceu-se de dores.&lt;br /&gt;imaginou o tempo passando e ele se desfazendo em ânsias.&lt;br /&gt;o momento do amor negado.&lt;br /&gt;a companhia dos amigos para sempre protelada. &lt;br /&gt;toda esperança era vã.&lt;br /&gt;já não andava de carro. não saía na chuva. o corpo, cheio de hematomas, era testemunha única de seu desespero.&lt;br /&gt;então, procurou cartomante, pai de santo, padre, benzedeira. fez trabalhos e mandingas. rezou terços, pagou promessas.&lt;br /&gt;amaldiçoou sua qualidade de macho. sua capacidade de santo. a podridão em que se afundava. o fungo. o fumo. o cheiro absurdo das roupas sempre por lavar. o vômito acumulado em vasilhas e os pedidos de milagre esparramados pela casa. a incapacidade de encontrar respostas.&lt;br /&gt;na primavera deu à luz um menino chamado joão. nunca mais teve enjôos. levitava quando via o seu igual.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8092336081535918109-2302564666143676154?l=caesdamemoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8092336081535918109/posts/default/2302564666143676154'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8092336081535918109/posts/default/2302564666143676154'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caesdamemoria.blogspot.com/2009/09/levitar.html' title='levitar'/><author><name>veronika paulics</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8092336081535918109.post-4125002845120796991</id><published>2009-09-11T09:10:00.001-03:00</published><updated>2009-09-11T09:10:51.789-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='má'/><title type='text'>má</title><content type='html'>quando ele já não espera, márcia acorda boa. não boa, boa, de bonita (que isso é rotina), mas boazinha de dizer sim e perguntar a ele se deseja mais alguma coisa, enquanto ela, márcia, assim boazinha, fica aquém de qualquer desejo.&lt;br /&gt;oferece a boca para ser (castamente) beijada mas quando as línguas (viscosas cobras) se procuram serpenteantes, ela recusa.&lt;br /&gt;seria preciso pensar pensamentos maus — a anatomia de um homem saciado, baratas na sopa, a surdez fingida — para que a aura de bondade se espantasse e o vômito que vem em golfadas não viesse e o corpo de márcia fosse novamente bicho. e desejasse.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8092336081535918109-4125002845120796991?l=caesdamemoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8092336081535918109/posts/default/4125002845120796991'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8092336081535918109/posts/default/4125002845120796991'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caesdamemoria.blogspot.com/2009/09/ma.html' title='má'/><author><name>veronika paulics</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8092336081535918109.post-8699116480685483422</id><published>2009-09-10T14:27:00.001-03:00</published><updated>2009-09-10T14:29:16.988-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='maio'/><title type='text'>maio</title><content type='html'>faço anotações perdidas neste primeiro de maio. passei o dia à beira da lucidez. o frio. o vento uivando pelas frestas. a colcha de retalhos dos seus vestidos. os seus lápis de cor.&lt;br /&gt;e eu preenchi espaços da casa com as cores que você mais gostava. meus traços andam inseguros. o máximo que consegui foram aquelas caretas que a gente desenhava quando era criança e a professora completava com flechas. mamãe, avião, saudade, casa. marília.&lt;br /&gt;quando vieram me buscar à tarde para o cinema marcado, encontraram-me encolhido no tapete do banheiro depois de já ter vomitado sua imagem mais de cem vezes.&lt;br /&gt;mas ainda vale a tática de lagartixa (de se refazer dos grandes cortes). troquei de roupa. fiz a barba. fechei a casa.&lt;br /&gt;na rua, voltei a respirar. apertei minhas mãos com força quando lhe vi enforcada no poste em frente.&lt;br /&gt;aos poucos, conseguiram me convencer: miragem.&lt;br /&gt;ainda assim, o filme todo eu fiquei com um gosto amargurado na boca. ninguém imagina. e era só uma pipa — folhas de seda tão comuns no outono.&lt;br /&gt;na saída, pedi que me levassem até você. sempre a mesma desculpa: palavrinha rápida.&lt;br /&gt;desconversaram que era tarde, talvez estivesse dormindo.&lt;br /&gt;voltando para casa não convidei ninguém a entrar, mas não quiseram me deixar só.&lt;br /&gt;amauri está preparando algo para comer. sérgio deitou no sofá do escritório lendo os livros que você deixou.&lt;br /&gt;eu, ao lado do telefone, faço anotações perdidas neste primeiro de maio, enquanto imagino números de telefones que poderiam ser seus. qualquer um que tivesse a cara da sua eternidade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8092336081535918109-8699116480685483422?l=caesdamemoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8092336081535918109/posts/default/8699116480685483422'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8092336081535918109/posts/default/8699116480685483422'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caesdamemoria.blogspot.com/2009/09/maio.html' title='maio'/><author><name>veronika paulics</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8092336081535918109.post-3265898946019735626</id><published>2009-09-09T09:54:00.001-03:00</published><updated>2009-09-09T09:54:48.488-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='milena'/><title type='text'>milena</title><content type='html'>encontraram-se no cinema. ele, ligeiramente embriagado. a vida é triste demais, disse, quando já não soube mais o que fazer. e ela: não é não. e pegou em seu braço com a delicadeza da tarde que só é possível em agosto. e ouviu tudo o que ele tinha colecionado nas noites intermináveis.&lt;br /&gt;depois, sentiram-se estranhos e ele disse que seria melhor sair da garoa. e que morava logo ali, na avenida grande.&lt;br /&gt;aquela barulhenta? ela perguntou espantada. mas, para ele, o problema era a cidade quase desconhecida. e ela prometeu passear junto nas tardes de domingo quando a vida faz intervalo.&lt;br /&gt;chegaram na casa. ela, assustada com seu gesto de ousadia, disse: eu não deveria ter vindo.&lt;br /&gt;e ele, sem dizer nada, pediu a ela que ficasse.&lt;br /&gt;e porque ela entendeu o pedido, guardou o medo e ficou. &lt;br /&gt;ele perguntou o que ela fazia e ela explicou um pouco reticente, porque não via muito sentido em descrever cotidianos quando tinha tantas coisas por conversar e o tempo é pouco e nunca se sabe se voltariam a se ver ou não.&lt;br /&gt;por trás do que ela dizia, ele percebia as angústias. sabia do sofrimento quando não havia quem negasse permissão à dor. e imaginava o quanto seria difícil permanecer próximo, que provavelmente ela se afastaria porque, afinal, ele mal sabia dizer o que sentia. &lt;br /&gt;ao parar de falar, ela entendeu que ele sabia ver as coisas de um outro modo.&lt;br /&gt;no silêncio, o medo cresceu nos olhos e o mundo ficou pequeno demais e sem perspectiva. ela disse: é tarde, eu vou indo. ele: não, fica mais um pouco. acendeu um cigarro. deixou o silêncio se esparramar lentamente. pôs água pra ferver: mate ou camomila?&lt;br /&gt;camomila.&lt;br /&gt;e ele perguntou seu nome. ela inventou: camila, sabendo que era outro. o meu é carlos, ele mentiu. sem saber que quando, alguns dias mais tarde, ela tivesse coragem de procurar por ele, eles se desencontrariam. o porteiro diria: carlos? não, o carlos não mora mais aqui. quem mora é um moço que quase não conversa. acho que se chama ronaldo. e ela iria embora pelo viaduto pensando: é sempre assim. lembrando histórias de tantas mulheres em sua última tentativa de voar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8092336081535918109-3265898946019735626?l=caesdamemoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8092336081535918109/posts/default/3265898946019735626'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8092336081535918109/posts/default/3265898946019735626'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caesdamemoria.blogspot.com/2009/09/milena.html' title='milena'/><author><name>veronika paulics</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8092336081535918109.post-7556728973508028592</id><published>2009-09-08T10:37:00.001-03:00</published><updated>2009-09-08T10:37:22.072-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='minguante'/><title type='text'>minguante</title><content type='html'>na madrugada, ele me largou à minha própria sorte. (e nela permaneceria até que a lua entrasse em áries. até que eu voltasse para casa. até que o dia viesse feito oásis e ele telefonasse dizendo:&lt;br /&gt;não poderia ter te largado àquela hora à tua própria sorte. e dissesse também — mas não saberia o que fazer.&lt;br /&gt;e desligasse.&lt;br /&gt;e quando a lua saísse de áries, o sol alto ascenderia as crianças nascidas neste século-sem-pai.)&lt;br /&gt;não telefonou dia seguinte nem depois.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8092336081535918109-7556728973508028592?l=caesdamemoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8092336081535918109/posts/default/7556728973508028592'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8092336081535918109/posts/default/7556728973508028592'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caesdamemoria.blogspot.com/2009/09/minguante.html' title='minguante'/><author><name>veronika paulics</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8092336081535918109.post-7375180636608674571</id><published>2009-09-04T14:07:00.000-03:00</published><updated>2009-09-04T14:08:24.185-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='minotauro'/><title type='text'>minotauro</title><content type='html'>encontro a porta entreaberta. entro desajeitada. atravesso o salão escuro e subo a escada, que quase cede ao meu peso. tenho medo mas só assim se chega a algum lugar iluminado.&lt;br /&gt;ouço risos. longe. piso leve como um gato. um degrau por vez. controlo a respiração mas os batimentos cardíacos ultrapassam meu silêncio.&lt;br /&gt;alguém abre uma porta, quando quase piso no mezanino, e um som ensurdecedor me invade, luzes se acendem, giram, piscam.&lt;br /&gt;volta o silêncio. aparece uma mulher que me diz... eu não entendo o que ela diz. e também não me lembro dela. estou assustada. ela me ajuda a tirar o casaco, pega o guarda-chuva e o leva. retorna com chá e bolachas.&lt;br /&gt;ainda estou paralisada mas disfarço com perguntas sobre o tempo, o frio, a chuva, amenidades. até me encher de coragem e perguntar pelos outros. &lt;br /&gt;ela me olha absurda com seus olhos tão verdes que não me vê. o que há de errado na pergunta? não sei.&lt;br /&gt;seguimos por um longo corredor. subimos outras escadas. ninguém. quero ir embora eu digo e ela não responde. passos depois pergunta então por que veio e eu não me lembro.&lt;br /&gt;não há outros. não há mais ninguém além de nós duas. o anúncio no jornal era explícito. ela diz isso e coisas parecidas mas eu não vim por causa de anúncio algum. nem jornal eu leio. nem revista eu vejo. nem tv.&lt;br /&gt;então me lembro. sim: batom.&lt;br /&gt;vim seguindo um longo traço de batom riscado em paredes, atravessando ruas, dobrando esquinas. muitos espaços eu vim, na curiosidade, na distração. tanto que me esqueci. no fim poderia ter sido brincadeira dos vizinhos, de me fazerem seguir por caminhos tão distintos dos meus caminhos sempre iguais.&lt;br /&gt;ela disse mas não há mancha de batom na porta. &lt;br /&gt;eu vejo e cheiro: o batom que usa é da cor do traçado que vim seguindo, um enjoativo morango artificial.&lt;br /&gt;perco os passos nos pensamentos (só alguns ditos em voz alta). essa mulher vende desesperos. corredores labirínticos e entonações variadas ocupando meus ouvidos atentos não disfarçam sua condição nômade e calamitosa. quanto mais andamos, mais eu pressinto a que vim.&lt;br /&gt;então ela se despe na penumbra de um quarto qualquer onde entramos. em troca das minhas coisas, me entrega sua roupa, bolsa, documentos, sapatos, chaves e o batom — inconfundível. veste-se de mim e sai apressada. nem se despede. não consigo segui-la. &lt;br /&gt;estou com frio, tão perdida quanto teseu. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;levarei muito tempo até descobrir o truque de marcar com batom as paredes por onde passar, na esperança de que o traçado e o aroma seduzam algum curioso desavisado e esse alguém entre pela porta entreaberta e me substitua neste papel, que nem eu quis. &lt;br /&gt;já terei preparado chá e bolachas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8092336081535918109-7375180636608674571?l=caesdamemoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8092336081535918109/posts/default/7375180636608674571'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8092336081535918109/posts/default/7375180636608674571'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caesdamemoria.blogspot.com/2009/09/minotauro.html' title='minotauro'/><author><name>veronika paulics</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8092336081535918109.post-4150088461728542844</id><published>2009-09-03T15:02:00.001-03:00</published><updated>2009-09-03T21:44:19.273-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='nadas'/><title type='text'>nadas</title><content type='html'>abriu pernas, boca, braços e disse: vem.&lt;br /&gt;ela chegou perto e tudo era doce, tudo era bom. mas ela era ela, noutro trilho, e ele queria outro ele no mesmo trilho: admirar-se narciso, dormir sozinho assim acompanhado. &lt;br /&gt;e ela, cansada, sobrava arestas, madrugadas, pequenezas no meio do gesto que se perde e escorre. e não achava nada nisso dele pedindo (vem) e ela impossibilitada na vinda.&lt;br /&gt;havia pressupostos obscuros e sons, havia futuros e outros, havia o que viria, o que foi, o que era e seria sempre intangível, por mais que ele, abrindo portas, janelas e luzes, dissesse: vem. e ela fosse.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8092336081535918109-4150088461728542844?l=caesdamemoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8092336081535918109/posts/default/4150088461728542844'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8092336081535918109/posts/default/4150088461728542844'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caesdamemoria.blogspot.com/2009/09/nadas.html' title='nadas'/><author><name>veronika paulics</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8092336081535918109.post-5622211766726430016</id><published>2009-09-02T14:32:00.001-03:00</published><updated>2009-09-03T21:44:04.872-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='palavra'/><title type='text'>palavra</title><content type='html'>foi então que consegui inventar a palavra exata para o que eu sentia. tudo vinha junto, todos os medos e sonhos todas as justiças e violências.&lt;br /&gt;ele estava na casa onde eu dormia. ali, ao alcance da mão, da vista. ouvir a respiração, sentir seu calor, saber que suas mãos passeiam nas minhas e não é isso. é mais, muito mais que o desejo. &lt;br /&gt;ali, ao meu lado, na grande casa, estava o que iria além de tudo, além de todos nós.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8092336081535918109-5622211766726430016?l=caesdamemoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8092336081535918109/posts/default/5622211766726430016'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8092336081535918109/posts/default/5622211766726430016'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caesdamemoria.blogspot.com/2009/09/palavra.html' title='palavra'/><author><name>veronika paulics</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8092336081535918109.post-4604493747521350164</id><published>2009-09-01T11:21:00.001-03:00</published><updated>2009-09-03T21:43:50.227-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='pássaro'/><title type='text'>pássaro</title><content type='html'>ao constatar o silêncio que reinava na desordem, passou a voltar periodicamente à casa. chegava à noitinha e saía ainda antes de amanhecer, entrando discreto, sem malícia, como ladrão inexperiente e tímido.&lt;br /&gt;trazia ora penas de um pássaro qualquer, ora restos de sua ossatura, cera de abelha, incensos, arames.&lt;br /&gt;na tentativa de dar asas àquele corpo frágil para que pudesse um dia viver e voar mais tranqüilo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8092336081535918109-4604493747521350164?l=caesdamemoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8092336081535918109/posts/default/4604493747521350164'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8092336081535918109/posts/default/4604493747521350164'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caesdamemoria.blogspot.com/2009/09/passaro.html' title='pássaro'/><author><name>veronika paulics</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8092336081535918109.post-3097407308058439427</id><published>2009-08-31T14:40:00.002-03:00</published><updated>2009-09-03T21:43:34.756-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='prego'/><title type='text'>prego</title><content type='html'>chegava em casa e ia esticando a pele nos pregos das paredes, crucificando-se, balançando de leve até adormecer.&lt;br /&gt;pela manhã, comprava pão e leite para passar nas feridas que não cicatrizavam.&lt;br /&gt;um dia, passou à tarde em casa porque pressentia. e a casa não estava lá. as janelas suspensas ignoravam o dentro, o fora. puro vácuo na alma, agora que não tinha mais onde se esticar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8092336081535918109-3097407308058439427?l=caesdamemoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8092336081535918109/posts/default/3097407308058439427'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8092336081535918109/posts/default/3097407308058439427'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caesdamemoria.blogspot.com/2009/08/prego.html' title='prego'/><author><name>veronika paulics</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8092336081535918109.post-2702037226786960000</id><published>2009-08-28T14:00:00.002-03:00</published><updated>2009-09-03T21:43:18.780-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='plural'/><title type='text'>plural</title><content type='html'>no reflexo do espelho, ela vê os limites de seu corpo se desvanecerem.&lt;br /&gt;uma aura, talvez a alma, mantém o sangue em seu caminho de veias e artérias. mas a vida – gânglios, órgãos, ossos, músculos – distende-se na amplidão do vidro e para além de azulejos, paredes, pias, esgotos.&lt;br /&gt;está no mundo como uma grande teia de gestos e desejos.&lt;br /&gt;compreende o pulsar do medo: não há mais campos de batalhas moendo-moendo.&lt;br /&gt;afasta-se do espelho e, no movimento ventilado, percebe que não vive delírios. há dificuldades inerentes a este novo estado — atravessar portas, atender telefones, beber águas, necessitar de luzes — mas é menos áspero e muito mais silencioso.&lt;br /&gt;toma licores doces. grita poesias da janela. derrama-se infinito, declama-se mar. vai aos encontros marcados e às covas sombrias. a tudo sobrevive e de tudo se impregna — os cheiros da madrugada se enroscam nos cabelos, nas axilas, no entre as coxas. ela segue todas as direções.&lt;br /&gt;no amanhecer esmaecido, apressada recolhe o corpo outra vez sob a pele. esquece o coração pulsante no parapeito. sorri. para os vizinhos e para quem quase não a reconhece.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8092336081535918109-2702037226786960000?l=caesdamemoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8092336081535918109/posts/default/2702037226786960000'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8092336081535918109/posts/default/2702037226786960000'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caesdamemoria.blogspot.com/2009/08/plural.html' title='plural'/><author><name>veronika paulics</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8092336081535918109.post-1954228926512773708</id><published>2009-08-27T13:56:00.001-03:00</published><updated>2009-09-03T21:43:01.944-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='quase'/><title type='text'>quase</title><content type='html'>olho o mundo. vejo todas as coisas mas não entendo nada. entro nesse bar para comprar cigarro e reparo na moça sentada displicente e sozinha diante de um café.&lt;br /&gt;percebo suas mãos pequenas e o olhar choroso. depois percebo também seus seios fartos. a blusa é da cor dos olhos e o cabelo é curto como eu gosto. afundar meus dedos na sua nuca. só de aventar a possibilidade eu já entro em estado de graça.&lt;br /&gt;ou de desgraça. porque eu estou ali, sentado na frente dela, há mais de meia hora a menos de dois palmos de seu rosto, e ela não levanta os olhos da xícara nem deixa de se distrair com as bolinhas que faz com o papel do guardanapo.&lt;br /&gt;continuo olhando. o tempo cresce e vai ficando domingo.&lt;br /&gt;meu telefone toca. desvio os olhos por um momento, tentando localizar o botão para que o barulho cesse e nesse intervalo — décimo de segundo — ela vai embora sem bilhete. e eu, que não consegui desligar o celular, me rendo e atendo. do lado de lá, a voz daqueles olhos pedindo vê se não some. e eu quase desapareço.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8092336081535918109-1954228926512773708?l=caesdamemoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8092336081535918109/posts/default/1954228926512773708'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8092336081535918109/posts/default/1954228926512773708'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caesdamemoria.blogspot.com/2009/08/quase.html' title='quase'/><author><name>veronika paulics</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8092336081535918109.post-2713544926120620767</id><published>2009-08-26T09:48:00.001-03:00</published><updated>2009-09-03T21:42:48.186-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='rir'/><title type='text'>rir</title><content type='html'>nem sorria. se lhe perguntavam por que não ria, respondia que não havia porquê. e elencava misérias das mais cotidianas e individuais às coletivas, de raízes profundas, constrangendo todo ouvinte distraído.&lt;br /&gt;e a cada vez que lhe perguntavam, tinha uma nova miséria a acrescentar ao rosário, que foi estendendo com o passar dos anos.&lt;br /&gt;quando ninguém perguntava, nada dizia. seguia séria, repetindo gestos desgastados.&lt;br /&gt;ontem, no metrô, viu um homem muito mais sério. e rancoroso. olhou para ela. ela olhou para ele. ele olhou outra vez. e mais outra. e outra. no curto percurso entre duas estações, sentiu-se incomodamente observado por ela. levantou-se de onde estava, chegou bem perto e disse: pára de sorrir pra mim, sua velha safada, ou eu te mato. a situação congelou-se até chegar à próxima estação. ninguém dizia nada. nem sorria. então o homem desceu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;hoje, quando lhe perguntaram por que não sorria, desfiou suas misérias já sabidas em detalhes e olhos úmidos. no final, acrescentada a mais recente das misérias, contou a história do homem no metrô e o medo que passou de morrer ali, com seus setenta e poucos anos. fez o relato seríssima. e, de repente, desatou a rir: riu. riu. riu. riu.&lt;br /&gt;até morrer de rir.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8092336081535918109-2713544926120620767?l=caesdamemoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8092336081535918109/posts/default/2713544926120620767'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8092336081535918109/posts/default/2713544926120620767'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caesdamemoria.blogspot.com/2009/08/rir.html' title='rir'/><author><name>veronika paulics</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8092336081535918109.post-5667734519568012324</id><published>2009-08-25T10:54:00.001-03:00</published><updated>2009-09-03T21:42:33.829-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='rotina'/><title type='text'>rotina</title><content type='html'>jacira não tinha medo de assombração.&lt;br /&gt;desde menina foi ensinada a ceder a beira da cama quando alguma alma penada vinha puxar seu pé. e assim fazia, fazendo amor a noite inteira. regularmente.&lt;br /&gt;até os quase quinze. quando descobriu que as almas do além eram seu padrasto, seu cunhado e o filho do vizinho. os três muito vivos.&lt;br /&gt;no feriado seguinte, jacira cheirou excesso de gás, enquanto todos se divertiam na praia.&lt;br /&gt;nas noites, aílton, josé e fernando sonham saudades de jacira e, invariavelmente, acordam aos gritos: na ponta do pinto, um nó que ninguém deu nem viu.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8092336081535918109-5667734519568012324?l=caesdamemoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8092336081535918109/posts/default/5667734519568012324'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8092336081535918109/posts/default/5667734519568012324'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caesdamemoria.blogspot.com/2009/08/rotina.html' title='rotina'/><author><name>veronika paulics</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8092336081535918109.post-5053843938999500088</id><published>2009-08-24T10:28:00.001-03:00</published><updated>2009-09-03T21:42:13.268-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sedas'/><title type='text'>sedas</title><content type='html'>estou novamente à espera de um juiz. desta vez tenho razão.&lt;br /&gt;não reclamo luxos, delicadezas nem promessas. reclamo coisas concretas de sobrevivência. não pedi as respostas que me ofereceram, não mendiguei os abraços.&lt;br /&gt;quando entrar na sala, sei que vou chorar, como sempre, e vou concordar até que não seja mais possível dizer sins.&lt;br /&gt;então, feito comporta se abrindo lentamente, deixarei que sonhos e impulsos e medos e fantasmas transbordem por minha boca, e minhas mãos invisíveis cobrirão o ar com seu vôo minucioso.&lt;br /&gt;sem sorrisos, direi que não quero enlouquecê-lo nem matá-lo. direi (dura) que quero só o seu dinheiro. que foi pelos anéis e contas bancárias e casas que trepei estes anos todos e pari filhos e lavei roupas e fiz compras e varri cozinhas e engoli asneiras e vomitei ânsias e fingi verdades e devolvi carícias. sempre sem ais.&lt;br /&gt;porque na frente do juiz, estarei sem rodeios e sem meias palavras. olhando nestes olhos que há tanto me perseguem em pesadelos, vou poder dizer assim:&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8092336081535918109-5053843938999500088?l=caesdamemoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8092336081535918109/posts/default/5053843938999500088'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8092336081535918109/posts/default/5053843938999500088'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caesdamemoria.blogspot.com/2009/08/sedas.html' title='sedas'/><author><name>veronika paulics</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8092336081535918109.post-5623000078224498128</id><published>2009-08-21T10:08:00.002-03:00</published><updated>2009-09-03T21:41:57.315-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='setembro'/><title type='text'>setembro</title><content type='html'>como se aproveitassem a minha presença para ensinar o hino nacional a todas as crianças da cidade aqui no pátio vizinho. esta semana: a pátria.&lt;br /&gt;o pior de tudo é a introdução. de manhãzinha até à noite. quase sempre é no começo que há problemas e não acaba nunca. conheço todos os erros. as vozes infantis e o momento em que desafinam. eu me antecipo ao som.&lt;br /&gt;então grito.&lt;br /&gt;fechei todas as janelas. me cobri, tapei os ouvidos. tomei chás calmantes e banhos mornos.&lt;br /&gt;tudo agora, quando precisava tanto pensar na vida. tudo agora — urgindo calma e soluções práticas.&lt;br /&gt;outra vez o berço esplêndido. e eu deitada, enervada, desvairada. dos filhos deste solo só tenho raiva, nestas tardes calamitosamente azuis.&lt;br /&gt;no domingo, quando cheguei, não havia nada além da ave-maria — suportável, mesmo neste excesso de delicadeza em que me encontro. no dia seguinte é que começou o inferno. aliás, os infernos. &lt;br /&gt;soube que precisava partir. logo. imediato. não tinha sequer um telefone ao alcance. tentando pensar. todos haviam partido ao entardecer e eu impossibilitada. saber que já se passaram três dias. daí os infernos. cedo ou tarde, todos somos culpados.&lt;br /&gt;ele veio. abriu a porta silencioso. com as mãos nas minhas coxas indicou a ineficácia de qualquer gesto. e explicou: aqui termina tudo, chegou enfim o tempo do sono. a casa? cercada. as crianças, cantando, ouviram o brado retumbante.&lt;br /&gt;deve ter sido o pedido de batom — no espelho para não borrar. depois, não sei. os bichos soltos na casa, o atordoamento, o cerco falso. o medo da solidão. não sei.&lt;br /&gt;vi nos jornais, dia seguinte, que a fuga provava a culpa. que culpa? era o destino controlado por um sopro. e o sol da liberdade em raios parcos, fracos como minhas pernas e o sentido de estar ali, estatelada. os olhos do menino. estar atrelada ao olhos do pai do menino... meu deus! onde estão aquelas outras crianças? desafia o nosso peito a própria morte.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8092336081535918109-5623000078224498128?l=caesdamemoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8092336081535918109/posts/default/5623000078224498128'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8092336081535918109/posts/default/5623000078224498128'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caesdamemoria.blogspot.com/2009/08/setembro.html' title='setembro'/><author><name>veronika paulics</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8092336081535918109.post-805246588622839257</id><published>2009-08-20T18:00:00.002-03:00</published><updated>2009-09-03T21:41:42.013-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='shankar'/><title type='text'>shankar</title><content type='html'>chego sem chegar - descompassada. ouço o que não fui eu que escolhi mas meu corpo aceita. fecho olhos, ouvidos, tecidos, tudos. &lt;br /&gt;alguém se movimenta à minha volta. mesmo sem ver, eu sei. também essa presença não fui eu que escolhi. por isso me permito ficar à deriva. &lt;br /&gt;então.&lt;br /&gt;não abro os olhos e ouço, atenta: ele tira a roupa, o ar fica lento e denso. ele se afasta. ouço bem longe o interruptor e o escuro de agora é mais que o escuro de quem fecha os olhos. sei que ele vai voltar.&lt;br /&gt;e volta.&lt;br /&gt;suas mãos me  desmontam e me levam pelos seus caminhos de mãos. e eu cedo. tudo. nada tenho. vou junto, vivendo e sendo vivida, num mesmo movimento.&lt;br /&gt;o som continua shankar. eu continuo eu mesma. mesmo de olhos fechados sei que há o limite. até que o limite se torna mais e mais um pouco e é o silêncio milimétrico de um instante e se rompe, e tudo é o espírito pairando sobre águas, nuvens, samambaias, piratas, plantas, somos mundos e navios, e meus olhos fechados enxergam além e seus braços abraçam o que não se vê e o quando já nada mais se espera vem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8092336081535918109-805246588622839257?l=caesdamemoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8092336081535918109/posts/default/805246588622839257'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8092336081535918109/posts/default/805246588622839257'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caesdamemoria.blogspot.com/2009/08/shankar.html' title='shankar'/><author><name>veronika paulics</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8092336081535918109.post-4830503356223624281</id><published>2009-08-19T14:38:00.001-03:00</published><updated>2009-09-03T21:41:16.650-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sonho'/><title type='text'>sonho</title><content type='html'>enquanto atravessava a praça da sé ao som de cítaras e bailados, homens vinham ao seu encontro. todos iguais.&lt;br /&gt;o primeiro levou seus óculos. depois, na seqüência, levaram a carteira, a gravata, o paletó, os sapatos, a camisa. &lt;br /&gt;de calça e meia no meio da cidade, sentiu frio e vontade de chorar. sentou-se nas escadarias. depois, escondeu-se dos pombos e dos meninos.&lt;br /&gt;amanheceu chovendo. o neon aceso piscava no seu olho direito. relembrou o sonho que se repetia há tantos dias: ela era um homem atravessando a praça e vinham outros homens em sua direção e estes outros eram todos iguais.&lt;br /&gt;o filho a chamou pelo nome e indicou o homem parado junto à porta. sem sapatos e sem camisa. no sonho o homem que ela é, na realidade o homem que ela vê, vem em sua direção. ela não entende, nunca entenderá. o homem veio. entrou nela como se entra numa catedral. a chuva parou. a manhã ensolarada e o homem permanecia, para sempre em seu lugar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8092336081535918109-4830503356223624281?l=caesdamemoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8092336081535918109/posts/default/4830503356223624281'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8092336081535918109/posts/default/4830503356223624281'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caesdamemoria.blogspot.com/2009/08/sonho.html' title='sonho'/><author><name>veronika paulics</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8092336081535918109.post-1424645401223499039</id><published>2009-08-18T14:26:00.001-03:00</published><updated>2009-09-03T21:40:58.467-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='seguiria'/><title type='text'>seguiria</title><content type='html'>anoto detalhes desta cilada, armadilha para desavisados: na mesa, um é meu amigo, o outro é seu amante, o terceiro me namora. a vida seguiria. &lt;br /&gt;vim aqui para dizer que nunca mais virei.&lt;br /&gt;porque nunca mais virei mulher maravilha como quando éramos crianças e a magia rondava todos os gestos.&lt;br /&gt;hoje o mundo me limita medo. eu tento que seja diferente mas, das voltas atrás da porta, saio sempre eu mesma — tonta, vesga e impotente.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8092336081535918109-1424645401223499039?l=caesdamemoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8092336081535918109/posts/default/1424645401223499039'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8092336081535918109/posts/default/1424645401223499039'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caesdamemoria.blogspot.com/2009/08/seguiria.html' title='seguiria'/><author><name>veronika paulics</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8092336081535918109.post-9070082317957244755</id><published>2009-08-17T09:23:00.001-03:00</published><updated>2009-09-03T21:40:43.950-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='talvez'/><title type='text'>talvez</title><content type='html'>vai andando pela calçada. o lado esquerdo de quem desce a rua. é inverno e os desenhos são cegos. não há como desviar de um e outros.&lt;br /&gt;assim andando, ela espera. que venha ao seu encontro um dia que valha a dureza cristalina dessa tarde. e é também andando que ela tece pequenas alegrias no olho da rua. é possível. tem sido. de repente a palavra surge. cambaleante. encabulada. crescente. imensa. ela repete baixinho o que o pensamento já não quer pensar. mente. oculta em mãos e pés mas é essa coisa mesma trilhando cabelos. ela espera e anda e espera. afloram em seus gestos todas as angústias.&lt;br /&gt;ela é uma tarde azul de inverno pisando desenhos negros numa calçada. olho. rua.&lt;br /&gt;ela olha. e não vê nem carros. ela atravessa - quase. ela volta. fumaças. tosse. outros tossem e ela se distrai no seu passo e nem quer mais nada. retrocede. agora ignora linhas, mas não liga. segue.&lt;br /&gt;toca a campainha. a porta range e cede. então um pé dentro outro fora. talvez.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8092336081535918109-9070082317957244755?l=caesdamemoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8092336081535918109/posts/default/9070082317957244755'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8092336081535918109/posts/default/9070082317957244755'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caesdamemoria.blogspot.com/2009/08/talvez.html' title='talvez'/><author><name>veronika paulics</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8092336081535918109.post-7608128059864249165</id><published>2009-08-14T11:13:00.001-03:00</published><updated>2009-09-03T21:40:30.796-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='tesouro'/><title type='text'>tesouro</title><content type='html'>saiu pela porta da cozinha com a pá em punho, pronta a desenterrar as coisas mais antigas. não tinha mapa do tesouro riscado em pergaminho mas nas veias corria o sangue da grande dor.&lt;br /&gt;e esta dor queria agora desencavar. ficou andando em ziguezague, rodando pelo quintal, e não se decidia.&lt;br /&gt;pensa comovida: e se a dor ali enterrada, às custas de água e minerais, tivesse criado muitas raízes, talvez já lançasse broto? ou, pior, se já tivesse crescido além da conta, além da capacidade de se agüentar uma dor? depois dispensa: mas e se, desenterrada, estende, feito um polvo, suas raízes e mata e sufoca e cerca o que demorou tanto a crescer?&lt;br /&gt;a dor por certo não seria um tesouro. era uma maldição. e com raiva da dor voltou ao ponto que o mapa indicava na lembrança. e foi cavando com ódio, pronta a destroçá-la — dor filha da puta — e por um erro desses de orientação, tão comuns para quem desacostumou do próprio corpo, a dor estava do lado oposto, em outros passos, já florescendo pequenos botões amarelos. cansada, muito cansada de doer.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8092336081535918109-7608128059864249165?l=caesdamemoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8092336081535918109/posts/default/7608128059864249165'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8092336081535918109/posts/default/7608128059864249165'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caesdamemoria.blogspot.com/2009/08/tesouro.html' title='tesouro'/><author><name>veronika paulics</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8092336081535918109.post-3785900497988670027</id><published>2009-08-13T10:30:00.001-03:00</published><updated>2009-09-03T21:40:13.369-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='triângulo'/><title type='text'>triângulo</title><content type='html'>o desejo abre um cristal no triângulo.&lt;br /&gt;ninguém diz nada no riscar de fósforos. não há mais histórias, futebol, linhas, mão. apenas o desejo inscrito em circunvoluções sem vértices. só silêncios.&lt;br /&gt;sobre as brasas — quase nada — ela deposita mais uma acha. gesto sem nobreza. como o assoar nariz, o caçar piolho, o comer torresmo. mas pleno do cotidiano da vida. água sendo bebida.&lt;br /&gt;mais silêncio cresceu no fogo. os três se aproximam um pouco, atentos, respirando curto. joelhos e pernas confusos, nuvens baixas, goles de cachaça e o fim chegou ao começo.&lt;br /&gt;o primeiro diz: então, estamos aqui. o segundo: mas já não somos os mesmos. ela pensa dizer: pelo menos estamos vivos. mas não diz, sorri. o diálogo desenrolando novelos e ela presa nesta incapacitação — a boca sem se render ao pensamento. nada. mas avança em reflexões desnorteadas que uma tartaruga imensa carrega nas costas.&lt;br /&gt;então, assim ocupada em pensamentos, ela faz um gesto pausado tão, que assusta. contando os seus — de todos — desejos mais escondidos. o vidro grande de colônia verde. a camisa azul com estrelinhas. o copo onde nada se cabia. um sapo. o primeiro dicionário e o contrário da dor. o estar ali, à beira desse fogo, à beira desse segredo, desse abismo, desse abraço, do fim.&lt;br /&gt;nos novos silêncios que se seguem mãos se aconchegam seios se envolvem cabelos se transformam línguas dedos nádegas rins respirações.&lt;br /&gt;e nesse espalhar do cheiro sobre a pele, o cristal se estilhaça e se refaz e se renova e se repõe e se retoca e se recria. se reclui e se revela. se recose. se recobre. se dilacera. e vai lambendo o fogo, a morte, o medo, outro passo, outro vôo, outro lázaro na longa espera, o desejo, sendo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8092336081535918109-3785900497988670027?l=caesdamemoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8092336081535918109/posts/default/3785900497988670027'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8092336081535918109/posts/default/3785900497988670027'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caesdamemoria.blogspot.com/2009/08/triangulo.html' title='triângulo'/><author><name>veronika paulics</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8092336081535918109.post-6975790771194315987</id><published>2009-08-12T17:18:00.002-03:00</published><updated>2009-09-03T21:39:49.736-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='vazios'/><title type='text'>vazios</title><content type='html'>o pulmão arde quando respiro cotidianos. se me distraio, a sensação ameniza e permaneço imersamente aliviado.&lt;br /&gt;mas os instantes passam e logo venho outra vez à tona, à espera, o medo inflando pulmões.&lt;br /&gt;buscaria sossegos, ausências. buscaria o vazio se o soubesse possível e próximo. mas me afogo. outra vez.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8092336081535918109-6975790771194315987?l=caesdamemoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8092336081535918109/posts/default/6975790771194315987'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8092336081535918109/posts/default/6975790771194315987'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caesdamemoria.blogspot.com/2009/08/vazios.html' title='vazios'/><author><name>veronika paulics</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8092336081535918109.post-191135932979429997</id><published>2009-08-11T15:32:00.001-03:00</published><updated>2009-09-03T21:39:34.745-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='veja'/><title type='text'>veja</title><content type='html'>diante dela eu me perdia. pela incapacidade de aliar qualquer gesto àquele desejo. por mais que ela beijasse a minha boca, o corpo não completava a forma. e, se desenhava nas paredes o contorno dos meus seios, nem por isso eu me via.&lt;br /&gt;diante dela eu era uma criança descobrindo sonhos. porque ela dizia de lugares absurdos da memória. de distâncias além de tudo onde jamais estive e de onde ela me trazia.&lt;br /&gt;diante dela o mundo era da cor dos olhos. e nesses olhos eu me perguntava se de toda angústia sempre seria possível desenrolar outras angústias quando fica o vazio no lugar onde antes era ela quem estava.&lt;br /&gt;diante dela não havia medo nem fantasmas e quem quisesse poderia escavar por entre artérias o sangue que já não era meu nem alimento e corria leve por entre dedos que trançavam cabelos e pernas num mesmo suspiro.&lt;br /&gt;diante dela só se podia pensar a vida: frases desfeitas, toda poesia virando pó e revirando pétala no último pedido de mim — condenada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8092336081535918109-191135932979429997?l=caesdamemoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8092336081535918109/posts/default/191135932979429997'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8092336081535918109/posts/default/191135932979429997'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caesdamemoria.blogspot.com/2009/08/veja.html' title='veja'/><author><name>veronika paulics</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8092336081535918109.post-7479645353884598873</id><published>2009-08-10T10:54:00.001-03:00</published><updated>2009-09-03T21:39:02.605-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='você'/><title type='text'>você</title><content type='html'>um homem põe a mão na testa e pensa: o que foi que eu fiz? &lt;br /&gt;você poderia ser este homem. por isso me aproximo e pergunto o seu nome. mas ele se oculta por trás de um gesto obsceno. não é você este homem. eu penso: o que foi que eu fiz? em vão.&lt;br /&gt;outro homem, com outros gestos e um pensamento que ninguém adivinha, segue meus passos. quando me  volto para ver seu rosto, a mão esconde os olhos, e eu não me adivinho homem. outro vão.&lt;br /&gt;se me escondo, mais ainda ele me espreita. se corro, ele se antecipa e me espera na próxima esquina. piso o escuro relutante. sou a sombra desse homem ou seu momento obscuro? revôo. &lt;br /&gt;sou o caminho que eu mesma percorro. espero o homem e seu gesto obsceno. quem é o um que diz vero o que pensa? – diria vagner num momento de insensatez em que vi pânicos. mas esse tampouco é você.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8092336081535918109-7479645353884598873?l=caesdamemoria.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8092336081535918109/posts/default/7479645353884598873'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8092336081535918109/posts/default/7479645353884598873'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://caesdamemoria.blogspot.com/2009/08/voce.html' title='você'/><author><name>veronika paulics</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' 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