segunda-feira

beatriz

beatriz entrou triste no táxi. mas o motorista viu uma mulher de quase trinta. bonita, muito bonita e desesperada.
por um momento, foi como se ela nem soubesse o que estava fazendo e disse apenas siga em frente. mas como seguir se todos os carros pareciam desaguar naquela via àquela hora? então, passados poucos minutos, ela acrescentou estou sem dinheiro. o motorista respondeu isso não tem importância. e uma idéia relampejou.
ele desviou do trânsito lento do final da tarde e enveredou por pequenas ruas onde árvores amortecem o espanto da cidade. depois passou pontes e viadutos desertos. na praça vazia, obrigou beatriz a descer e olhar. olhar o sol se pondo e nuvens raras, a paisagem límpida como os olhos de quem sabe ver.