terça-feira

barato

quando se dá conta da noite, o homem vê a lua esfiapando no arame farpado.
antes, era como se a cidade não tivesse disso. essa necessidade de limites e medos.
pede mais uma dose. do barato. o garçom nem limpa o balcão. olha morto. o cansaço nos braços, pernas, vida-besta.
momento cruzado assim: cansaço de um. desgosto de outros.
outro gole. outro frio na espinha. outra dor que desaparece. o homem pede um café. morno. nem toma. paga a conta. a tristeza explodindo, pega o primeiro ônibus que passa. na frente da igreja sobe a moça com filho. um menino faz da cruz sinal de crença. outro sorri. a vida segue até o ponto final.