quarta-feira

aeroporto

ele foi e eu fiquei ali na parede da despedida. os olhos nublando quase chuva de céu cinza e trovoada. os aviões são tão graves. sem a leveza de um trem saindo da estação, lenços brancos, beijos.
eu fiquei como se abrisse uma grande cratera. o vazio que há tanto prometia se instalar estava. parecia fome, ansiedade, angústia, pressa de rever: já saudade.
os olhos nublando era choro e eu não queria. firmava os pés, fixava os anúncios luminosos na tentativa de colocar as idéias em ordem. os aviões são uma despedida quase definitiva. o ronco do motor não se ouve. não se vê um gesto. não se adivinha a emoção de quem parte. só o longo corredor por trás do vidro.
fui andando pelo aeroporto, os pés tão pesados. e um desejo oculto: que voltasse. ele viria. com a chuva forte, o pensamento seria de casa, cama seca e um abraço bom.