quinta-feira

nadas

abriu pernas, boca, braços e disse: vem.
ela chegou perto e tudo era doce, tudo era bom. mas ela era ela, noutro trilho, e ele queria outro ele no mesmo trilho: admirar-se narciso, dormir sozinho assim acompanhado.
e ela, cansada, sobrava arestas, madrugadas, pequenezas no meio do gesto que se perde e escorre. e não achava nada nisso dele pedindo (vem) e ela impossibilitada na vinda.
havia pressupostos obscuros e sons, havia futuros e outros, havia o que viria, o que foi, o que era e seria sempre intangível, por mais que ele, abrindo portas, janelas e luzes, dissesse: vem. e ela fosse.