sexta-feira

quando ele já não espera, márcia acorda boa. não boa, boa, de bonita (que isso é rotina), mas boazinha de dizer sim e perguntar a ele se deseja mais alguma coisa, enquanto ela, márcia, assim boazinha, fica aquém de qualquer desejo.
oferece a boca para ser (castamente) beijada mas quando as línguas (viscosas cobras) se procuram serpenteantes, ela recusa.
seria preciso pensar pensamentos maus — a anatomia de um homem saciado, baratas na sopa, a surdez fingida — para que a aura de bondade se espantasse e o vômito que vem em golfadas não viesse e o corpo de márcia fosse novamente bicho. e desejasse.