sexta-feira

guardanapos

quando eu, sem me afastar do balcão, a vi ultrapassando a esquina, já sabia que quanto mais se ama, mais se ama. e que seria possível sumir num buraco. nunca mais ela devoraria minhas entranhas, teimando em recusar futuros.
porque eu eu a quis e a guardei. mas ela ela: quando me derramo lava não entendo sua palavra - pedra. não enxergo as gradações de cinza no mármore. só esse susto é impossível.

mas agora.
ela não poderia entrar aqui. e entra. arrasta as asas que não tem e me assusta ao estar nesse bar, esta noite.
pede e eu desamarro seus sapatos.
molha o queijo no café quente: estou bem, atravessei desertos e certezas antes de chegar. e canta sussurrado o canto dos violeiros. está um pouco embriagada mas a alegria jorra independente.
então sei que sempre estará comigo até que a morte nos confunda numa mesma paisagem.