segunda-feira

você

um homem põe a mão na testa e pensa: o que foi que eu fiz?
você poderia ser este homem. por isso me aproximo e pergunto o seu nome. mas ele se oculta por trás de um gesto obsceno. não é você este homem. eu penso: o que foi que eu fiz? em vão.
outro homem, com outros gestos e um pensamento que ninguém adivinha, segue meus passos. quando me volto para ver seu rosto, a mão esconde os olhos, e eu não me adivinho homem. outro vão.
se me escondo, mais ainda ele me espreita. se corro, ele se antecipa e me espera na próxima esquina. piso o escuro relutante. sou a sombra desse homem ou seu momento obscuro? revôo.
sou o caminho que eu mesma percorro. espero o homem e seu gesto obsceno. quem é o um que diz vero o que pensa? – diria vagner num momento de insensatez em que vi pânicos. mas esse tampouco é você.