segunda-feira

talvez

vai andando pela calçada. o lado esquerdo de quem desce a rua. é inverno e os desenhos são cegos. não há como desviar de um e outros.
assim andando, ela espera. que venha ao seu encontro um dia que valha a dureza cristalina dessa tarde. e é também andando que ela tece pequenas alegrias no olho da rua. é possível. tem sido. de repente a palavra surge. cambaleante. encabulada. crescente. imensa. ela repete baixinho o que o pensamento já não quer pensar. mente. oculta em mãos e pés mas é essa coisa mesma trilhando cabelos. ela espera e anda e espera. afloram em seus gestos todas as angústias.
ela é uma tarde azul de inverno pisando desenhos negros numa calçada. olho. rua.
ela olha. e não vê nem carros. ela atravessa - quase. ela volta. fumaças. tosse. outros tossem e ela se distrai no seu passo e nem quer mais nada. retrocede. agora ignora linhas, mas não liga. segue.
toca a campainha. a porta range e cede. então um pé dentro outro fora. talvez.