quarta-feira

sonho

enquanto atravessava a praça da sé ao som de cítaras e bailados, homens vinham ao seu encontro. todos iguais.
o primeiro levou seus óculos. depois, na seqüência, levaram a carteira, a gravata, o paletó, os sapatos, a camisa.
de calça e meia no meio da cidade, sentiu frio e vontade de chorar. sentou-se nas escadarias. depois, escondeu-se dos pombos e dos meninos.
amanheceu chovendo. o neon aceso piscava no seu olho direito. relembrou o sonho que se repetia há tantos dias: ela era um homem atravessando a praça e vinham outros homens em sua direção e estes outros eram todos iguais.
o filho a chamou pelo nome e indicou o homem parado junto à porta. sem sapatos e sem camisa. no sonho o homem que ela é, na realidade o homem que ela vê, vem em sua direção. ela não entende, nunca entenderá. o homem veio. entrou nela como se entra numa catedral. a chuva parou. a manhã ensolarada e o homem permanecia, para sempre em seu lugar.