segunda-feira

sedas

estou novamente à espera de um juiz. desta vez tenho razão.
não reclamo luxos, delicadezas nem promessas. reclamo coisas concretas de sobrevivência. não pedi as respostas que me ofereceram, não mendiguei os abraços.
quando entrar na sala, sei que vou chorar, como sempre, e vou concordar até que não seja mais possível dizer sins.
então, feito comporta se abrindo lentamente, deixarei que sonhos e impulsos e medos e fantasmas transbordem por minha boca, e minhas mãos invisíveis cobrirão o ar com seu vôo minucioso.
sem sorrisos, direi que não quero enlouquecê-lo nem matá-lo. direi (dura) que quero só o seu dinheiro. que foi pelos anéis e contas bancárias e casas que trepei estes anos todos e pari filhos e lavei roupas e fiz compras e varri cozinhas e engoli asneiras e vomitei ânsias e fingi verdades e devolvi carícias. sempre sem ais.
porque na frente do juiz, estarei sem rodeios e sem meias palavras. olhando nestes olhos que há tanto me perseguem em pesadelos, vou poder dizer assim: