segunda-feira

prego

chegava em casa e ia esticando a pele nos pregos das paredes, crucificando-se, balançando de leve até adormecer.
pela manhã, comprava pão e leite para passar nas feridas que não cicatrizavam.
um dia, passou à tarde em casa porque pressentia. e a casa não estava lá. as janelas suspensas ignoravam o dentro, o fora. puro vácuo na alma, agora que não tinha mais onde se esticar.